Amnésia (NC/17)

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Amnésia (NC/17)

Mensagem por KristyAnne em Qui Jul 04, 2013 10:04 pm

Título: Amnésia
Autora: Cristiane O. Borges (KristyAnne)
Shipper: Alex e Sophia; Alex e Lucy (personagem criada por mim)
Gênero: Romance Policial
Censura: NC-17
POV: 3ª pessoa
Terminada: [ x ] sim [   ] não
Capítulos: 10
Outras Fics:

  • Moonlight Ressurreição
  • Minha Amada Imortal (Moonlight)
  • It's End Tonight (Moonlight)

Beta-reader: Não

Exclamation Fanfic abordando a vida do Alex após o final da série Moonlight. Alguns acontecimentos vão coincidir com o que já foi publicado sobre ele na vida real, o restante é meramente fantasia da minha cabeça.
Exclamation Espero que gostem, comentem e, principalmente, divirtam-se!




PRÓLOGO


- O que aconteceu? - gritava alguns curiosos.
- Ela saiu do nada, não a vi! - relatava o motorista de táxi.

Alex estava agachado ao lado da garota, tentando sentir sua pulsação, quando a ambulância chegou, os paramédicos a imobilizaram e a colocaram na maca.

- Você é parente da vítima? - perguntou o paramédico.
- Amigo! - respondeu Alex.

Ele não era bem um amigo. Na verdade nem a conhecia. Acabara de sair no meio de uma festa, sua festa. Teve uma briga horrível com sua namorada Holly. Saiu para se acalmar, caminhava pensativo na calçada quando sentiu alguém esbarrar em seu ombro. Virou-se para reclamar, ela pediu desculpas em soluços numa voz rouca. Alex tentou aproximar-se, mas ela saiu correndo para a rua quando um táxi atropelou-a. Ele sentiu-se culpado por isso.

Ficou do lado dela o tempo todo durante o caminho para o Hospital Geral de Los Angeles. E pôde ver claramente o rosto da garota. Como era linda!

Durante uma semana, Alex desdobrou entre seus compromissos e suas visitas diárias ao Hospital. Ela ainda estava em coma, tinha um braço quebrado, alguns hematomas, batera forte a cabeça, mas seu estado era estável.

No oitavo dia, Alex entrou no quarto, deixou algumas flores na mesinha ao lado da cama e sentou-se na poltrona. Cruzou as mãos apoiando no queixo, olhando seu rosto angelical de menina e tentava imaginar o que teria acontecido antes do acidente com ela. Então, recostou-se na poltrona e fechou os olhos por alguns minutos.

- Oi?

Ele deu um salto da poltrona e arregalou os olhos quando a viu acordada.

- Oi. Está tudo bem, você está no Hospital. - disse ele, já de pé ao lado da cama.
- Quem é você? O que aconteceu comigo? - perguntou ela.
- Meu nome é Alex, Alex O'Loughlin. Você esbarrou em mim outro dia na calçada, percebi que não estava bem e quando tentei alcançá-la, você saiu correndo em direção a rua e... bem... não importa mais. Está tudo bem agora. Fique tranqüila. - ele manteve a voz calma e compassiva.
- Você pode me dizer seu nome? - perguntou Alex.
- Humm... não me lembro.




CAPÍTULO 1 – MÁS NOTÍCIAS



West Hollywood, LA – Apart. Alex – 05:30 am


- Alex, atenda esse telefone! – exclamou Holly sonolenta.
- Está bem! – respondeu Alex meio mal humorado – Quem será a essa hora?

Alex sentou na beira da cama, olhou para traz, Holly tentava se acomodar novamente apalpando o travesseiro.

- Vai atender ou não? Alex? – disse ela mostrando irritação.
- Alô? – Alex atendeu com nítido mal humor.
- É você Alex? – perguntou a voz feminina.
- Sim, o que quer? – respondeu.
- Aqui é Nina Tassler. Desculpe pela hora.
- Ah! Sem problemas! – disse Alex após tossir para limpar a garganta.
- As notícias não são agradáveis. Infelizmente está terminado.
- Hã?! Como assim? O que está terminado? – Alex ficou subitamente de pé apreensivo.
- Tivemos uma reunião de emergência, os índices da audiência estão fracos demais, ficou decidido pelo cancelamento da série. Sinto muito por dar-lhe essa notícia, sabemos como era importante para você, mas visamos mais que isso. Você sabe muito bem. Passe no RH na terça para pegar seu pagamento.

Alex não teve forças para responder. Estava atônito. Recolocou o fone no gancho e deixou seu corpo cair sentado, assustando Holly, que acabara de pegar no sono novamente.

- Alex? O que aconteceu? Quem era ao telefone? – perguntou Holly preocupada.
- Nina Tassler. Eles cancelaram a série! Não acredito que me dispensaram assim, pelo telefone!
- Ah, é só isso?! Pensei que alguém tivesse morrido.

Ele a olhou surpreso.

- Não me olhe assim Alex! Você sabia que isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Sem drama! Vai arrumar coisa melhor. – Holly recomeçou a apalpar o travesseiro – Volte a dormir, pelo amor de Deus! São 05:40 da manhã! – concluiu com desdém.
- Holly! Você está dizendo que meu trabalho não é importante?
- Pára Alex! Você entendeu o que eu disse. Apague a luz, por favor!

Ele obedeceu apagando a luz do abajur do seu lado da cama. Porém, não sentia mais sono, não conseguiria voltar a dormir. Foi até o banheiro e ligou a ducha. Entrou embaixo da água quente, apoiando as mãos na parede em frente, abaixou a cabeça deixando a água descer por todo seu corpo. Tinha os músculos contraídos, tensos e acreditava que a ducha o relaxaria.

Enquanto ouvia a voz de Nina em sua cabeça, a água caia macia, da nuca descendo pelos contornos perfeitos das costas, aterrissando nas nádegas volumosas, escorrendo pelas pernas bem definidas. Um pouco fazia o caminho inverso, da nuca contornando o pescoço, descendo pelo abdômen másculo, seguindo as curvas da barriga até a virilha, tocando suavemente seu órgão masculino, deixando-o levemente excitado.

Nada como um banho para limpar a sujeira. Ele se sentia usado, atolado na sujeira dos números e do dinheiro. Não bastasse estar literalmente despedido, sendo afastado do seu trabalho, que conseguiu a duras penas, ainda tinha Holly. Ele jamais poderia esperar tal reação dela. No mínimo, teria que ficar do lado dele, dando-lhe força nessa hora terrível.

Após 40 minutos, Alex saiu do banho e entrou no quarto completamente nu, enxugando o cabelo com uma pequena toalha.

Poucos raios de claridade rompiam o céu, passando pela fresta da cortina entreaberta do quarto. Ele passou em direção ao closet.

- Você não vai voltar para a cama, não é? – disse Holly encarando Alex.

Ele não respondeu. Abriu o closet e olhava suas roupas sem conseguir decidir por uma, quando sentiu os braços de Holly o abraçar por trás.

- Se não quer dormir, podemos fazer outra coisa. – sussurrou no ouvido dele, mordiscando-lhe de leve a ponta da orelha.
- Holly, não estou afim! – disse retirando as mãos dela de seu pescoço.
- Está chateado comigo? Não falei nada de mais. Alex olha pra mim?
- Já disse, não estou afim! – repetiu mantendo a voz baixa.
- Tem certeza? – disse ela com a voz sexy.

Alex olhou para Holly, ela estava nua, com as mãos nos seios, apalpando-os delicadamente. Molhou os lábios e sussurrou:

- Não sabe o que está perdendo! – disse piscando para ele e caminhando de volta para a cama.

Ele ficou sem ação por uns minutos, mas logo se rendeu a tentação. Ela estava de costas quando ele se aproximou. Ele passou sua mão direita pelo pescoço macio e delicado de Holly, a outra segurava a cintura dela com força, trazendo-a para si. Seus corpos agora estavam unidos, Alex passou a língua do ombro ao pescoço esquerdo de Holly. Ela soltou um gemido fraco enquanto um arrepio descia pelo seu corpo esguio. Subiu sua língua maliciosa até a orelha dela e mordiscou.

Seu órgão masculino ereto e desejoso roçava a cintura dela. Ele jogou Holly para frente, deixando-a de quatro e a penetrou por trás com movimentos fortes. Ela gemia mais alto, o que o excitou ainda mais, fazendo-o agarrar os cabelos dela. Alex segurava a cintura de Holly com força, indo e vindo com tanta intensidade que ela pediu para ele parar. Mas Alex só parou depois que toda sua tensão e ansiedade foram absorvidas com seu gozo.

Assim que Alex libertou Holly, ela correu para o banheiro e se trancou. Só então que ele percebeu o que tinha acontecido.

- Holly! Sinto muito, você está bem? – disse ele angustiado.
- Não! Você nunca fez isso comigo, não dessa forma. Com quem pensou que estava transando?! – ela gritou aos soluços.
- Não faça isso comigo Holly! Acabei de receber uma péssima notícia e, sei lá! Por favor, abra a porta! – pediu Alex.

Ela cedeu ao pedido de Alex destrancando a porta, ele entrou e a abraçou.



Estúdios CBS, LA – 2 semanas depois.


- O que está fazendo aqui Alex? Algum problema com o pagamento? – perguntou Nina Tassler.
- Não, está tudo certo quanto ao pagamento. Vim ver como está tudo por aqui. Visitar alguns amigos. – respondeu.
- Tudo bem. Mas não atrapalhe as gravações. – disse rispidamente.

Alex lançou um olhar de fuzilamento quando Nina lhe deu as costas, ‘Vaca’, pensou rindo de si mesmo por tal pensamento.

- Alex? É você mesmo! Estava pensando em você. – disse Sophia ao ver Alex em frente ao estúdio A.
- Soph! Como é bom ver esse rostinho lindo! – disse ele com malícia.
- Seu bobo! – exclamou Sophia dando um tapinha no ombro de Alex.
- O que faz aqui? – perguntou ela.
- Nem eu sei! – disse ele sorrindo – Na verdade, vim sondar, talvez uns testes, você sabe.
- Ah! Sei sim. Ainda não acredito no que aconteceu. Aquele papo de audiência não me convenceu. – disse ela desanimada.
- Nem a mim!
- Alex, adorei revê-lo. Vamos combinar de sair, como antes. – disse Sophia fitando Alex.
- Seria ótimo. Mas agora é complicado Soph. Holly não me dá sossego. Só hoje consegui escapar dela.
- Alex! Você gosta realmente dela?
- Na verdade já não sei mais. Estava tudo ótimo antes do cancelamento da série. Acho que por causa do trabalho, nos víamos pouco e não percebi o quanto ela é grudenta. – ele riu.
- Nosso relacionamento só não foi além porque você não quis. Na verdade, se não fosse pela Holly, eu até teria tentado conquistá-lo e com êxito. – ela piscou para ele.
- Você é uma pervertida! – disse Alex beliscando a coxa dela.
- Cuide-se! E se precisar sabe onde me encontrar. – Sophia deu um beijo leve nos lábios de Alex.

Ele ficou ali parado acompanhando Sophia com o olhar até ela desaparecer pela porta de saída.

No caminho de volta ao apartamento, Alex pensou sobre seu relacionamento com Holly. Resolveu tentar.

Um mês depois, estavam embarcando para o México. As merecidas férias que Holly tanto almejava.



Em algum lugar de West Hollywood, LA – 02:15 am – 2 meses depois.


- Acho melhor você parar. Já bebeu demais!

Alex olhou melancólico para o rosto do barman e fez uma careta. Levantou do banco aos tropeços, retirou uma nota de 100 com dificuldade da carteira e jogou em cima da bancada do bar.

- Pode ficar com o troco. – disse ele ao barman enquanto mirava o rumo da porta.
- Não quer um táxi? – perguntou o rapaz prestativo.

Alex não deu atenção. Saindo do bar parou por um instante tentando lembrar o caminho de casa, sem muito sucesso. Começou a caminhar cambaleante, sem rumo, os pensamentos flutuando em sua cabeça, totalmente em desordem. Passava em frente a um restaurante quando ouviu chamar seu nome. Apoiou a mão no poste de luz para não cair e olhou para trás. Forçou para focar as imagens à sua frente e quando conseguiu viu Sophia a dois passos de onde ele se postava.

- Meu Deus Alex! O que você acha que está fazendo? – perguntou ela preocupada.
- Soph! Estou bem. – disse ele ao procurar as mãos dela.
- Não, não está! Olhe para você, está bêbado! Vou levá-lo para casa.
- Casa não! – exclamou ele irritado – Eu e Holly brigamos. Não quero voltar, não agora!
- Está bem então. Você vem comigo. – disse ela puxando Alex pelo cotovelo.
- Michael, esse é Alex. Um amigo muito querido. Preciso ajudá-lo. Você não importa de nos vermos depois? – disse Sophia ao seu acompanhante.
- Imagina querida! Quer uma carona? – respondeu Michael complacente.
- Acho melhor irmos de táxi. Você faria a gentileza? – pediu ela.

Meia hora depois, Alex estava debaixo do chuveiro e Sophia tentava fazê-lo ficar quieto.

- Me deixa Soph!
- Pára de birra moleque!

Ela divertiu com a cena, mas estava preocupada com Alex. Logo ele estava na cama dela. Sophia tomava um café encostada à porta do quarto, velando o sono de Alex. Ela chegou ao lado da cama silenciosamente, passou a mão pelo rosto dele verificado a temperatura.

Voltou para a sala, ligou a TV e quando se deu conta já era umas 09:00 da manhã. Foi verificar seu hóspede, ele ainda dormia tranquilamente como uma criança.

Sophia sorriu aliviada. Passou ao banheiro para sua ducha matinal, deixando a porta entreaberta.

Alex abriu os olhos. Sua visão ainda embaçada o fez esfregar as mãos no rosto. Foi conseguindo focar as imagens a sua frente e não reconheceu o lugar. Ficou sentado em um sobressalto olhando à sua volta. Percebeu que não estava vestido e ouviu o barulho do chuveiro.

Levantou sem fazer barulho e vestiu-se. Caminhou até a porta entreaberta do chuveiro e viu Sophia pelo espelho. Em todas as vezes que imaginou Sophia nua, nunca pensou realmente que ela fosse tão encantadora como na visão que tinha agora: os cabelos molhados, espuma por todo seu corpo esbelto, com curvas perfeitamente delineadas.

- Alex? – perguntou Sophia ao sentir a presença dele.

Imediatamente, Alex caminhou sorrateiramente para a cozinha, para que ela não o visse espiando. Começou a procurar por algo que nem sabia o que quando Sophia entrou na cozinha, descalça, vestindo um roupão e os cabelos molhados na altura do ombro.

- Bom dia Alex! Como se sente hoje? – sorriu para ele.
- Bom dia Soph. Estou meio tonto. O que aconteceu ontem? Só me lembro de estar sentado no bar. – ele não conseguia encará-la.
- Encontrei você em frente ao ‘House of Blues‎’ da W Sunset Blvd e, como não quis ir para casa, o trouxe para cá. Não podia deixá-lo vagando sem rumo.
- Sinto muito pelo trabalho Soph. E pelo estado em que eu acordei, devo ter dado trabalho mesmo. – disse ele constrangido.
- Ah e como! Você parecia uma criança dando birra para não tomar banho. – ela riu.
- Estou envergonhado por isso. – disse ele coçando a cabeça.
- Não fique. Você é exatamente como eu imaginei. – ela riu novamente.

Pousou um silêncio momentâneo. Sophia sentiu que Alex não estava à vontade. Ela passou por ele, serviu duas xícaras de café e o convidou à sala.

- Alex, você mencionou uma briga com a Holly. Não é da minha conta, mas caso queira conversar. – insinuou ela sentando no sofá sob as pernas.
- Gosto dela Soph. Mas desde que voltamos do México não têm dado certo. Ela está possessiva e controladora. Acusa-me de estar saindo com outra. Você sabe que não sou assim. Não gosto de meio termo.
- Pelo que conheço de você, não é o caso. Ou é?
- De estar traindo a Holly? Claro que não! – ele fitou Sophia pela primeira vez naquela manhã. – Se fosse isso você saberia.
- Eu? – ela devolveu o olhar.
- Confesso Soph. Além de Holly, a única mulher que me interessaria neste momento é você.
- Alex, eu...
- Não diga nada. Estou apenas pondo para fora o que estou sentindo.

Conversaram por toda a manhã. Sophia reconfortou Alex. Ele gostava dela, desde o momento em que a conheceu sabia que era uma mulher maravilhosa.

Ao voltar para casa, Holly não estava. Ele a chamou e a procurou por todos os cômodos. Entrou no quarto e viu uma carta sobre a cama.

“Querido Alex, fui para o apartamento da Loren. Se continuarmos assim vamos acabar nos matando e não é o que quero. Com amor, Holly”






Continua...
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Re: Amnésia (NC/17)

Mensagem por KristyAnne em Qui Jul 04, 2013 10:21 pm

CAPÍTULO 2 – VOLTA POR CIMA


Estúdios CBS, LA – Agosto, 2008 – 11:20 am.


- Estamos certos então? – perguntou Nina Tassler.
- Sim, estamos. – respondeu Alex apertando a mão dela.

Nos corredores da CBS, todos cumprimentavam Alex pelo novo contrato. Desde que foi dispensado, só com a mobilização dos fãs em prol da renovação da série que ele sentiu que tudo iria melhorar. Nunca imaginou o apoio que teria de tantas pessoas anônimas, ficou muito comovido e grato. Apesar dos esforços não terem sido suficientes para que Nina Tassler voltasse atrás quanto à série, ‘pelo menos por enquanto’ pensava, foi satisfatoriamente favorável para que ela percebesse que ele seria uma aposta lucrativa para o futuro.

Quando chegou ao estacionamento para pegar sua moto, seu celular vibrou no bolso da calça.

- Holly! Deu certo! – disse ele animado.
- Maravilhoso Alex! O Jason ligou. Soube da reunião e queria saber as novidades. Quer que eu fale com ele?
- Claro querida! Estou indo para casa. Deixei suas chaves com o porteiro.
- Tem certeza que é uma boa idéia Alex?
- Deixa disso. Quero que você venha sempre que quiser, mesmo que ainda não seja definitivo. – disse carinhosamente.
- O que acha de comemorarmos? – convidou ele.
- Champanhe? – perguntou ela.
- Já estou imaginando você todinha coberta de champanhe! – ele riu.

Depois de um mês separados Alex e Holly voltaram a se ver. Ela continuou morando com a amiga Loren. O clima de namoro era reconfortante para ambos. Não brigavam mais e tudo corria bem. Melhor agora que ele estava empregado novamente.


West Hollywood, LA – Apart. Alex – 12:32 pm.

Ele chegou colocando o capacete e as luvas sobre a mesinha ao lado da porta de entrada.

- Holly, você está aqui?
- Estou no banheiro.

Holly estava na banheira. Ela sorriu quando ele entrou. Alex despiu-se desajeitadamente, e Holly ria com a pressa dele.

Por fim, ele já estava junto dela. Começou beijando suavemente o queixo de Holly até os lábios viçosos e avermelhados. Ela passou os braços pelo pescoço dele. Alex soltou delicadamente os cabelos presos dela e passou as mãos em seu rosto, descendo pelas costas, ele sentia a pele macia e quente de Holly.

Ela retribuiu o carinho mordiscando o pescoço dele e desceu a mão pelo abdômen forte até a virilha, segurando cuidadosamente o membro ereto de Alex.

Ele olhou para ela e sorriu, com um beijo explorou a boca feminina com a língua profundamente. Ela mordeu o lábio inferior dele.

Holly continuava tocando Alex em baixo e a excitação aumentou de forma que ele a puxou pela cintura fazendo com que ela envolvesse as pernas em seu quadril. A água morna da banheira começou a cair pelo chão à medida que ondas iam se formando pelo movimento agitado dos corpos em clímax.

Ela gemeu, sentindo a pulsação dentro dela, cada vez mais forte até que ambos atingiram um prazer intenso. Alex a abraçou forte, mas carinhosamente.

- Jason quer dar uma festa para comemorar seu novo contrato. - dizia Holly a Alex enquanto penteava os cabelos, sentada à beira da banheira.
- Ele não tem jeito! Qualquer coisa é motivo para festa. – disse Alex tomando a Champanhe e acariciando as pernas de Holly.
- Mas vocês ficaram amigos, não é?! Gosto dele. É boa pessoa e acho a idéia ótima! – concluiu ela.


Beverly Hills, LA – Guttman Dick Pub Relatns‎ - 11:00 pm

- Maravilhoso que tenha vindo Alex! – disse Jason recebendo o convidado à porta do Pub.
- Jason, não precisava! Você e sua mania de festas. – Alex riu cumprimentando o amigo.
- Não posso festejar seu novo trabalho?! Além do mais, eu estou às voltas com um novo projeto também. Resolvi unir as comemorações. – falou triunfante.
- Parabéns Jason! Sobre o que é?
- A noite é para comemorar não para desperdiçar com falatórios. – disse Jason estendendo a mão para Holly e beijando suavemente a mão direita dela e concluiu - Está linda Holly!
- Deixa de ser bobo! – ela riu.

Alex conversava distraidamente com Jason enquanto Holly bebericava um drink no bar ao lado da amiga Loren, com quem Jason tinha um affair.

Não houve ninguém que não notou quando Sophia entrou no pub. Usava um vestido vermelho que lhe acentuava os contornos perfeitos de seu corpo. O decote em V insinuava seios volumosos e a longa fenda na lateral mostrava as pernas longas e curvilíneas à medida que ela caminhava perfeitamente equilibrada sob o salto alto.

Alex ficou imóvel, admirando toda a feminilidade que transbordava de Sophia. Ela foi até ele e lhe deu um beijo no rosto.

- Parabéns Alex! Estou muito feliz por você! – ela sorriu um sorriso tão lindo e perfeito que Alex não conseguiu responder imediatamente.
- Obrigada Sophia! – respondeu Holly por Alex enquanto segurava o braço dele. – Estamos todos felizes pelo Alex.

Percebendo a irritação de Holly, Jason pegou Sophia pelo braço e a conduziu para outro canto do pub, sob o pretexto de apresentá-la a uns amigos.

- O que foi isso Holly? – Alex enrugou o cenho.
- Não gosto dela Alex. É uma oferecida! Não quero você perto dela! – intimidou Holly.
- Você o quê? Ela é minha amiga, você não tem o direito de me exigir isso.
- Não estou exigindo, estou proibindo! – continuou Holly.
- Holly! A Soph é minha amiga, apenas isso!
- Do que você a chamou? Soph? Então é com ela que você andava por aí enquanto eu ficava sozinha em casa a noite toda! – agora Holly gritava.

Alex segurou Holly pelo braço e a levou para o outro lado, onde estava mais vazio.

- Quer se controlar! Não sabe o que está dizendo! – disse Alex numa voz baixa, como se pedisse que ela baixasse a voz também.
- Me solta! Não quero ver você nunca mais! – ela começou a se debater sobre ele.

Por um momento Alex perdeu o controle, segurou Holly pelos punhos e a empurrou fazendo com que ela caísse ao chão. Ela começou a chorar. Jason a ajudou a levantar enquanto Alex saia às pressas do Pub.

Ele estava perdido em seus pensamentos. Vagava pela Wilshire Blvd rumo ao Los Angeles Country Club quando, na esquina com Santa Monica Blvd, sentiu alguém esbarrar em seu ombro.

Agora ele estava ali de pé ao lado da cama de hospital, conversando com aquela moça a quem socorrera oito dias atrás.

- Você pode me dizer seu nome? - perguntou Alex.
- Humm... não me lembro.
- Outra coisa então. Seu endereço, pai, mãe...
- Não, de nada! Está tudo confuso na minha cabeça.

A enfermeira entrou e ficou feliz em ver a moça acordada. Checou a temperatura, a pressão e o soro.

- Ela não se lembra de nada. Nem o nome. É normal? – perguntou Alex.
- Traumas fortes na cabeça podem causar uma confusão e o coma também não ajuda.
- Posso falar com o médico?
- Claro!
- Coma? Quanto tempo estou aqui? – perguntou a menina.
- Uma semana. – respondeu Alex.

O médico entrou no quarto, examinou a moça e a encaminhou para uma tomografia. Enquanto ela fazia o exame, Alex questionou o médico.

- Aparentemente, ela está bem. Os exames estão normais e não creio que a tomografia seja diferente. – dizia o médico enquanto rabiscava um formulário.
- Então porque ela não se lembra de nada?
- Talvez ela não queira lembrar. O trauma foi forte, mas não o suficiente para deixá-la sem memória. A confusão é normal, os pacientes tendem a ir recuperando a memória rapidamente. No final de um dia, já se lembram até do dia em que nasceram. – disse o médico tentando descontrair a conversa.

Alex ficou no hospital até aquela linda moça dormisse novamente, agora sob o efeito dos analgésicos. Foi até a enfermeira.

- Tinha alguma coisa com ela quando a trouxeram? Talvez a ajude a se lembrar. – pediu Alex.
- Hum, deixe-me ver. Ah, aqui está.

A enfermeira retirou do pequeno armário atrás do balcão um saco plástico com o número do quarto da garota. Ele pegou o saco e agradeceu à enfermeira. Caminhou até a recepção e sentou-se. Dentro do saco havia uma pulseira que combinava com uma pequena corrente de pescoço. A corrente estava partida, provavelmente por causa do acidente e tinha uma placa como pingente com um nome gravado: ‘Lucy’. Alex imaginou ser o nome da garota, o que o reconfortou por um momento.

Sobrou apenas um pedaço de papel amassado, com os números 310246 4600 meio tortos, ‘talvez tenha sido escrito às pressas’ pensou. Alex lembrou que na ambulância um dos paramédicos havia retirado alguma coisa da mão dela, algo que ela segurava com tanta força que deixou marcas das unhas na palma de sua mão.




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Re: Amnésia (NC/17)

Mensagem por KristyAnne em Qui Jul 04, 2013 10:41 pm

CAPÍTULO 3 – UM LUGAR PARA FICAR


West Hollywood, LA – Apart. Alex – 23 de Agosto, 2008 – 10:24 am

- É aqui que moro. – disse Alex para sua graciosa hóspede.
- Não precisa fazer isso. Nem mesmo me conhece. – Lucy estava triste.
- Bom, fui eu quem ficou do seu lado desde o acidente. Posso dizer que já a conheço o suficiente para deixá-la ficar aqui até se recuperar. – Alex sorria para Lucy.

Ele segurou a mão delicada dela e a puxou para dentro do apartamento. Lucy olhava atenciosamente o lugar. Tinha alguns objetos espalhados, mas pensou ser normal em um apartamento de homem solteiro.

- Não é grande, ainda estou começando minha carreira aqui em LA, mas é confortável. Venha, vou mostrar-lhe onde vai ficar.

Alex continuava segurando a mão direita de Lucy, conduzindo-a ao pequeno quarto de hóspedes. Como ele nunca recebera visita desde que se mudou, o quarto estava abarrotado de lembranças de fãs. Muitas pelúcias, fotos, cartões, cartas de diversos tamanhos e cores, além, de calcinhas rendadas, muitas delas.

Ela deu um sorriso tímido quando visualizou as peças intímas femininas, deixando Alex constrangido. ‘Como pude esquecer-me de arrumar o quarto!’, pensava com a face ruborizada.

- Desculpe por isso. Quase não tenho tempo de ficar aqui, então nem me preocupei em chamar uma faxineira. – ele começou a recolher as coisas com pressa, o que fez com que algumas se espalhassem pelo chão. – Sou um desastre! – exclamou por fim.
- Deixe que eu ajude. – disse Lucy se abaixando para socorrer seu bem-feitor.

Quanto mais iam juntando, mais objetos iam caindo da cama. Lucy olhava para Alex com nítida alegria.

- O que foi? – perguntou ele.

Ela não respondeu, apenas começou a jogar sobre ele as calcinhas espalhadas ao pé da cama. Uma delas ficou pendurada na orelha de Alex. Lucy soltou uma gargalhada, o suficiente para fazê-lo reagir.

- Se é briga que você quer. – ele começou a jogar de volta os objetos para Lucy.

Pareciam duas crianças brincando distraída e despreocupadamente. Logo ele a segurou pelos ombros, derrubando-a no chão, deixando-a segura pelos punhos.

- Não é justo! Você está trapaceando. – dizia ela entre as gargalhadas – quando eu me soltar pego você de jeito!
- Você nunca vai conseguir sair! Sou faixa-preta de Kung Fu. – Alex piscou.
- Seu mentiroso! – retrucou Lucy dando uma joelhada na perna dele.

Alex levou um susto e soltou Lucy. Deitou do lado dela, a respiração cortante, sem fôlego por causa da brincadeira.

- Oh! Machuquei você? – perguntou ela apreensiva.
- Não. Você tem péssima pontaria. – ele riu.

Lucy estava ao lado dele. Apoiava o rosto com a mão esquerda e fitava Alex com admiração. Ele percebeu o olhar e a encarou. Ela tinha um olhar doce, vibrante, que o fez mergulhar dentro daquele verde profundo por alguns segundos. Desviou o olhar quando sentiu seu coração palpitar e percebeu que suas mãos estavam geladas apesar do suor que gotejava de todo seu corpo.

- Vamos arrumar tudo aqui. Depois iremos almoçar. Não sei como você conseguia comer aquele grude do hospital. – falou Alex ao se levantar, mantendo o sorriso na face.
- Não era tão ruim. – ela riu novamente.

Com pouco mais de uma hora, o quarto estava organizado e Alex já estava esperando Lucy para saírem quando o telefone tocou, era Holly.

- Oi Alex! Está ocupado? – perguntou ela.
- Na verdade estava de saída, mas posso falar com você se for rápido. – disse serenamente.
- Sei que tem duas semanas do ocorrido no Pub. Queria me desculpar pelo meu comportamento.
- Não precisa Holly. Eu também tenho culpa, não devia ter tratado você daquela forma, perdi a cabeça.
- Eu estou bem, e com saudades. Quero vê-lo Alex! Hoje é sábado, poderíamos sair para conversar. E ainda tem o seu aniversário amanhã.
- Holly, hoje estou ocupado. Mas amanhã poderemos nos ver, com certeza. O Jason já fez as honras, como sempre, você deve estar sabendo.
- É claro. Então você não importa que eu vá?
- Imagine Holly. Realmente precisamos conversar e será ótimo vê-la também.

Lucy estava observando Alex quando ele desligou.

- Quem é Holly? Alguma namorada? – perguntou ela sorrindo.
- É. Estamos separados agora. Nada definitivo. – ele respondeu colocando a jaqueta.
- Temos que comprar umas roupas para você. Não quer ir à minha festa de aniversário amanhã com essa calça rasgada e essa blusa amassada. – disse em tom de brincadeira, mudando literalmente de assunto.
- Quer que eu vá à sua festa de aniversário? Sério? O que você vai dizer para seus amigos quando chegar comigo a tira-colo? – perguntou Lucy preocupada.

Alex não tinha pensado nisso. Desde o acidente, ele mal conversou com Jason e Sophia, apenas um telefonema se desculpando. O resto do tempo estava ocupado demais com seus projetos na CBS e, claro, com Lucy. Ninguém sabia dela e o pior, nem mesmo Alex sabia o que dizer sobre ela.


Beverly Hills, CA – 23 de Agosto, 2008 – 02:45 pm

Após longa caminhada e várias lojas visitadas, finalmente Lucy encontrou tudo que precisava na Michael Kors Collection Boutique‎, localizada na N Rodeo Dr.

- Será que podemos ir almoçar agora? Se caminharmos mais um pouco vou desabar. – disse Alex agitado.

Lucy não queria deixar Alex irritado. Era seu anjo da guarda e ela tinha uma enorme dívida para com ele. Sentaram à mesa do Mastro's Steakhouse‎ na N Canon Dr, não muito longe da loja que Lucy passara quase duas horas para acabar levando dois vestidos, duas calças jeans, três blusas, um casaco e dois pares de sandálias.

Fizeram os pedidos. Ambos estavam famintos. Conversaram pouco durante o almoço. Quando saíram do restaurante, Alex sugeriu uma caminhada. A tarde estava clara e Beverly Hills sempre era um bom lugar para passear.

Meia hora depois voltavam para buscar o carro de Alex em frente ao restaurante. Lucy contemplava curiosa todas as vitrines e pessoas a sua volta. Olhava distraidamente para uma tabacaria quando percebeu um homem alto, moreno, atlético sair da loja. Ela parou por um momento e sua cabeça começou a girar.

- Lucy acorde!

Ela abriu os olhos e sentia dormência no corpo. Alex a sacudia e ela pôde perceber desespero na voz dele.

- Estou bem! – disse ela tentando acalmá-lo.

Alex a ajudou a sentar-se num banco, provavelmente uma parada de ônibus. Ele a abraçava e segurava suas mãos.

- Tem certeza que está bem? – insistiu ele.
- Agora estou. Só um pouco tonta, mas está passando.
- O que aconteceu? Você simplesmente desmaiou e quase não consegui segurá-la! – Alex ainda estava aflito.
- Tudo ficou nublado de repente. Não sei o que houve. – tentava explicar.
- Você chamou por um tal Robert pouco antes de cair. Você deve tê-lo visto. – relatava Alex.
- Não! Acho que não. Por favor, me leve embora. – pediu Lucy com os olhos encharcados de lágrimas.
- Tudo bem. Mas teremos de conversar sobre isso depois.
- Prometo! – disse ela por fim.

Alex recolheu as sacolas e a levou de volta ao apartamento. Não conversaram mais, nem mesmo no jantar que ele pediu por telefone. Ele estava no sofá, assistindo TV num volume bem baixo quando sentiu Lucy sentar-se ao seu lado.

- Você é meu anjo da guarda! Não quero colocá-lo em perigo. – disse ela com olhar angustiado.
- Que perigo uma moça como você me colocaria? – perguntou ele sorrindo.
- Não sei. Mas tenho a sensação de que não é boa idéia eu ficar aqui por muito tempo.

Ela deu um beijo suave na face de Alex, muito próximo a sua boca, tão próximo que ele pôde sentir o hálito fresco dela, tinha um aroma de morango e ele imaginou o gosto daquele beijo. Limpou os pensamentos maliciosos rapidamente da mente.

- Boa noite Alex!

Ele sorriu em resposta e Lucy rumou para o corredor em direção ao quarto. Alex passara a noite no sofá. Temia não resistir e entrar no quarto dela. A imagem daquela moça com seus 20 anos ou menos, de shorts e blusa, esbanjando uma sensualidade natural ao caminhar pelo apartamento descalça, o deixava nervoso.

Naquela noite, Alex sonhou com Lucy, acordando suado e ofegante lá pelas cinco da manhã. Seu corpo todo tremia de excitação e não viu outra solução além de correr até seu quarto, sem olhar para os lados, entrar no banheiro e tomar a ducha mais fria que tinha lembrança até aquele momento.


West Hollywood – Apart. Alex – 09:00 am

Alex acordou assustado. Lembrava apenas de correr para uma ducha urgente depois do sonho que teve com Lucy. Sentou na cama e espreguiçou erguendo o corpo. Caminhou sonolento até o banheiro, fez sua higiene pessoal, jogou água no rosto e contemplou seu rosto no espelho a procura de uma nova ruga. Afinal, não encontrou nem nova nem antiga Alex tinha o rosto ávido de uma pessoa de 20 anos.

Ainda contemplava seu reflexo no espelho quando ouviu Lucy entrar no quarto toda festiva.

- Feliz aniversário Alex!!! – gritava ela com empolgação.

Ele parou na porta do banheiro e visualizou a grande bandeja sob sua cama. Arregalou os olhos e fitou Lucy.

- Você não gostou da surpresa! Ai! Desculpe, Alex. – falou ela desanimada.
- Na verdade, adorei! É que não costumo ser mimado dessa forma. – brincou ele.

O rosto dela iluminou. Lucy pegou a mão dele e o levou até a cama, sentando ambos ao lado da enorme bandeja.

- Não sei exatamente do que você gosta. Então preparei um pouco de tudo que achei na geladeira. – ela sorriu.
- Está tudo perfeito! Obrigado mesmo! – agradeceu Alex sorrindo de volta.
- Eu tenho uns compromissos na CBS que vão me ocupar o dia todo. Uns amigos vão me dar uma festa à noite. Acho que já comentei sobre isso. – comentou ele enquanto mordiscava uma torrada com geléia.
- Por alto.
- Você vai ficar bem aqui sozinha? – perguntou preocupado.
- É claro. Fique tranqüilo.

Assim que Alex bateu a porta atrás de si, ele sentiu que não era uma boa idéia deixar a menina sozinha. Mas também não podia adiar seus compromisso, já que o tinha feito por várias vezes após o acidente de Lucy.

Quando Lucy teve certeza de que Alex não voltaria, ela se trocou e saiu. Tinha na cabeça urgência em saber sobre ela mesma. Por onde começaria? Pensou na tabacaria onde vira o tal Robert. Foi caminhando até a loja, fuçando em sua cabeça, tentando lembrar de qualquer coisa que fosse útil. Até seu nome, pois ainda lhe era estranho ser chamada de Lucy. Não aceitara esse nome e poderia ser de outra pessoa.

Parou diante da tabacaria. Olhou pensativa a vitrine, decidindo se entraria ou não. Sua determinação a impulsionou para frente e ela entrou.

Nada parecia anormal. O que uma tabacaria teria de diferente? Prateleiras cheias de artigos para fumantes e apretechos masculinos, como canivetes, facas, coisas assim. Ela percebeu que o balconista a encarava cauteloso. Então resolveu aproximar.

- Olá! – disse ao balconista.
- O que está fazendo aqui? – perguntou ele irritado.
- O quê? Você me conhece? – ela ficou surpresa.
- Não brinque comigo. Se ele souber que esteve aqui! – exclamou o rapaz.
- Não estou brincando com nada. Se você me conhece, me diga quem sou? – ela praticamente implorava.

O rapaz moreno, estatura mediana, cabelos castanhos levemente compridos, a olhou desconfiado. Mas sentiu certa verdade na pergunta de Lucy.

- Não aqui. Não agora. – sussurrou.

Ele olhou ao redor, rabiscou num pequeno papel e estendeu a mão para ela.

- Não precisa agradecer. É sempre bom ajudar quem precisa. – disse amistosamente pegando a mão de Lucy.

Ela não entendeu nada, mas estendeu a mão para o rapaz, tentando esboçar um sorriso de agradecimento, pegou o bilhete e enfiou no bolso do shorts. Logo já estava de volta ao apartamento de Alex. Retirou o pequeno papel do bolso, ‘Amanhã. 12:00am. Red Lion Tavern‎, 2366 Glendale Blvd’.

Quando Alex voltou, por volta das 07:00 pm, Lucy estava no banho. Ele passou pelo corredor e notou a porta encostada. Chegou a tocar na maçaneta com o intuito de abrir a porta, mas conteve-se.

- Está tudo bem Lucy? – perguntou enfim.
- Está tudo bem Alex. – ela respondeu cantarolando.
- Vamos sair em uma hora.
- Estarei pronta.

Uma hora depois, Alex estava em pé na sala, esperando por Lucy ansioso. Ele vestia um terno preto e uma gravata rubi. Alex não gostava de trajes formais, era adepto ao conforto de calças jeans e camisas, um casaco no máximo. Odiava gravatas apertando o colarinho e seu pescoço. Ele mexia a gravata, levemente irritado, quando ouviu passos e virou-se.

Lá estava Lucy em seus 1,75m agora com 1,85 por causa do salto alto, praticamente a altura de Alex. Ele nem percebeu que estava com o queixo caído e os olhos vidrados nela.

Lucy caminhou elegantemente em direção a Alex, como se soubesse exatamente o que estava fazendo. Os cabelos caramelo, levemente ondulados, balançavam brincalhões caindo nos ombros, alcançando a altura dos seios arredondados e empinados dela. O vestido tomara que caia preto contornava as curvas perfeitas com um decote convidativo entre os seios. Os olhos verdes brilhavam de uma alegria que contagiava Alex.

- O que foi? Não estou bem? – perguntou olhando para o vestido procurando algo que Alex não tenha gostado.
- Está maravilhosa! – disse Alex após conseguir engolir.

Ele ofereceu o braço direito para ela que aceitou com euforia. Lucy estava elétrica e Alex um pouco preocupado.


Beverly Hills, CA – Los Angeles Country Club – 24 de Agosto de 2008 – 09:43 pm

No caminho para o salão de festas do Country Club, Lucy ficou repentinamente nervosa, suas mãos inquietas e seu olhar perdido acabaram não passando despercebido por Alex.

- O que foi? – perguntou ele.
- Não estou me sentindo bem. Gostaria de voltar ao apartamento caso você não se importe de chegar sozinho à festa. – falou numa voz cansada.
- Claro que não me importo. Apesar de querer muito sua companhia. – ele pegou a mão de Lucy e acariciou-a suavemente.
- Obrigada Alex. – deu um beijo agradecido no rosto dele.

Na entrada principal do salão, Alex desceu da limusine deixando instruções claras que Lucy fosse levada de volta ao apartamento. Quando desceu, mal conseguiu entrar em sua própria festa, vários paparazzi o cegou com os flashes de suas câmeras, Alex ouvia gritos e pôde sentir a movimentação ao seu redor. Alguns seguranças vieram para escoltá-lo, caso contrário, não chegaria vivo no salão principal.

Por causa do tumulto, ele não conseguiu ver que a limusine continuava em frente à entrada. Foi recebido por Jason e a esposa Lauren.

- Seja bem-vindo Alex! – Jason cumprimentou o amigo.
- Obrigado Jason. Lauren você está linda! – disse cordialmente.

Lauren apenas sorriu agradecendo o elogio de Alex. Jason pôs a mão no ombro do amigo e o conduziu ao salão, onde se concentravam grande parte dos convidados.

Holly percebeu a movimentação.

- Loren, acho que Alex chegou. Você ficará bem?
- Claro Holly. Vida de amante é assim mesmo. – ao falar, Loren engoliu de uma só vez a dose de uísque puro.
- Pare com isso Loren! – ordenou, tomando o copo da mão da amiga.
- E você acha que eu devia fazer o que? – perguntou levemente irritada.
- Esquecer o Jason, ora! Ele é casado, a esposa é linda e duvido que a deixe. – esclareceu Holly.
- Obrigada por me lembrar. Quer saber, vou embora. Só vim até aqui para lhe fazer companhia. Agora que Alex chegou, não sou mais necessária. – Loren levantou cambaleante.
- Não diga isso. Você é minha amiga e me preocupo. Seu relacionamento com Jason não é saudável para você, principalmente. – Holly segurou a amiga para que ela não caísse.
- Vá atrás do seu Alex antes que outra o faça. – disse Loren soltando o braço da mão de Holly.
- Amiga, quer que eu vá com você? O Alex pode esperar e ...
- De forma alguma. Se aquele homem aparecer amanhã abraçado com outra nos noticiários, você vai soltar a bomba atômica na minha cabeça. – ela riu desajeitada.
- Pelo menos me deixe levá-la até um táxi. – pediu.

Loren balançou a cabeça concordando. Holly segurou novamente o braço da amiga apoiando-a e caminharam até a saída.

Holly acabara de fechar a porta do táxi quando percebeu a limusine logo na entrada do salão. O motorista abriu a porta do passageiro e o vislumbre da beleza da moça que desceu, fez com que os paparazzi ficassem de olhos arregalados. Holly ouviu comentários enquanto passava por eles completamente despercebida, o que era incomum para ela. ‘Será uma nova atriz?’, ‘Que moça mais linda!’, Holly ficou incomodada por ter sido trocada por aquela anônima.

Lucy caminhou entre os paparazzi que continuavam a olhá-la curiosos. Um deles disparou o flash de sua máquina fotográfica, suficiente para que os demais fizessem o mesmo. Dois seguranças vieram e a cercaram, evitando que ela fosse molestada, acompanhando-a até a entrada do salão. À distância Holly observava curiosa, juntando-se a festa pouco depois que Lucy entrara.

- O que está acontecendo lá fora? – Jason esticou o pescoço tentando identificar a movimentação.
- Talvez os paparazzi criando contratempos para os seguranças. Sabe como alguns deles são insistentes. – sorriu Alex encarando o amigo.

Alex percebeu o rosto chocado de Jason e de todos a sua frente. Resolveu olhar para trás e conferir o que realmente estava acontecendo.

- Parece um anjo! – exclamou Jason. – Ai! – gemeu quando Lauren o cutucou com o cotovelo.

Lucy apareceu no alto da escada iluminada pelos flashes do lado de fora. Ela parou procurando por Alex com o olhar. Seu vestido preto acentuava as curvas perfeitas e contrastava com sua pele clara, deixando-a ainda mais bela.

Todos ficaram de queixos caídos, inclusive Alex. Ele só voltou a si, quando os olhos verdes encontraram os dele, num brilho intenso e contagiante. Ele saiu de sua inércia indo de encontro dela. Faltando um degrau até alcançá-la, Alex estendeu-lhe a mão. Lucy sorriu segurando a mão que lhe era oferecida, descendo o degrau que a separava dele. Ficaram por um minuto fitando um ao outro intensamente.

- Venha. – pediu ele em tom suave.

Desceram juntos os degraus restantes, diante de olhares curiosos. Foram até Jason e Lauren.

- Jason, Lauren esta é Lucy. – apresentou Alex.
- Muito prazer em conhecê-los. – disse gentilmente Lucy.

Alex nunca havia falado dela para ninguém. Então, relatou a Jason e sua esposa, como conhecera Lucy, pedindo discrição quanto ao fato.

- Nem precisa pedir duas vezes. Não diremos a ninguém. – falou Jason entre sorrisos.
- Obrigado. – agradeceu Alex.
- Está com sede? – perguntou Lauren à Lucy.
- Não quero incomodar. Estou bem, obrigada. – respondeu sorridente.

Jason e Lauren foram cumprimentar outros amigos, deixando Lucy e Alex a sós. Ele pegou a mão delicada dela e a conduziu até o bar, onde ficaram sentados conversando e rindo descontraídos por algum tempo.

Holly entrou no salão pouco depois de Lucy e testemunhou o olhar admirado de Alex, ficando irritada com a situação. Não tinha a mínima ideia de quem era àquela moça e de onde Alex a conhecia. Aproximou-se de Jason logo que ele se afastou do casal.

- Quem é a moça com o Alex? – soltou a pergunta sem timidez.
- Uma amiga. – Jason respondeu de forma curta.
- Onde ele a conheceu? Não parece ser uma amiga antiga. – ela falava com Jason sem tirar os olhos do casal no bar.
- Não sei. Pergunte para ele Holly. – Jason sorriu irônico, tocou o braço dela e voltou para o lado de sua esposa.

Holly bufou de raiva. Como não conseguia concentrar-se em uma conversa agradável com ninguém, passou todo o tempo que ficou ali, observando o casal até que Alex pagou a conta do bar e saiu pelos fundos segurando Lucy pela cintura.

- Aonde vamos Alex?
- Ficar aqui mesmo Lucy. A música estava muito alta lá dentro.
- E vamos ficar aqui? Não acha perigoso? – Lucy olhou os fundos do salão receosa.
- Fique tranqüila. Ninguém irá nos perturbar aqui.

Alex levou Lucy para o depósito do salão de festas. Lá havia apenas duas portas, a que eles vieram e a saída dos fundos. Ele segurava a mão feminina com delicadeza, puxou-a para perto de si, abraçando-a. Lucy levou as mãos no peito dele e o olhou assustada.

Subitamente, ele a beijou, fechando o abraço carinhosamente, passando uma das mãos nos cabelos sedosos. Ela hesitou por um momento, tentando se livrar da investida, mas acabou rendendo-se ao gosto daquela boca quente, ficando embriagada com o perfume masculino.

- ALEX! – gritou Holly ao entrar no depósito.

Lucy afastou Alex com um empurrão, quando ouviu o grito e voltou a si. Olhou assustada para Alex, para Holly e novamente para Alex. Sua pele queimava de constrangimento e as lágrimas inundavam os olhos verdes. Ela pôs a mão na boca para evitar o choro, girou nos calcanhares e saiu correndo. Alex impulsionou-se para alcançá-la, mas Holly o segurou pelo braço.

- Você me deve uma explicação! – intimou ela.
- Me solta Holly! – ele puxou o braço desvencilhando da pegada de Holly, passando pela porta deixando-a para trás.

Lucy atravessou o salão correndo. Jason tentou impedi-la.

- O que aconteceu? – perguntou alarmado.
- Por favor, Jason. Tenho que ir embora. – ela retomou o rumo da porta.

A limusine ainda estava estacionada lá fora, um pouco a frente da entrada principal. Lucy alcançou à calçada, os flashes voltaram a serem disparados, praticamente cegando-a. Ela parou cobrindo o rosto com as mãos na tentativa de ver alguma coisa.

- Lucy espere! – gritou Alex na entrada.

Ela virou o rosto e viu a expressão conturbada dele, olhou novamente para o lado e conseguiu identificar a limusine. Correu até o automóvel, abriu a porta traseira e entrou.

- Vai! – gritou ela ao motorista, que arrancou sem perguntas.

Alex correu, mas não conseguiu alcançar Lucy. Passou as mãos nos cabelos, olhou para todos os lados tentando pensar, mas foi envolvido pelos paparazzi. Só conseguiu sair daquela confusão quando um segurança empurrou alguns deles e o tirou dali.

- O que estava fazendo Alex? Queria morrer sem ar? – Sophia o recebeu na entrada sorridente.
- Longa história! – falou melancólico.
- Quando o vi pedi para um segurança ajudá-lo. Acho que me deve sua vida. – brincou mantendo o lindo sorriso.
- Minha heroína! – exclamou devolvendo o sorriso. – Agora que você está chegando a minha festa de aniversário? – perguntou esboçando um ar de insatisfação.
- Tive um imprevisto, Alex. Mas estou aqui, é o que importa, não é?! – piscou ela.
- Isso mesmo. – ele ofereceu o braço para Sophia que aceitou.

Voltaram para a festa. Agora Holly ficou de boca aberta ao ver Alex de braço dado com Sophia, não bastasse a cena que acabara de presenciar. Ela passou por todos e parou diante de Alex e Sophia, olhou para Sophia com desdém, voltando o olhar para Alex. Ela ergueu a mão direita e deu um tapa no rosto dele.

Alex suspirou fundo, retomou a postura e devolveu o olhar. Holly torceu os lábios e saiu pisando duro.

- O que aconteceu aqui nos últimos 5 minutos? – Jason aproximou dos amigos.
- Desculpe pela confusão Jason. Assim que tudo se acalmar eu esclareço. – Alex deu um sorriso tímido e olhou para Sophia com tristeza.

Percebendo o constrangimento de Alex, Sophia o conduziu até uma mesa sentando-se ao seu lado. Passou a mão nos cabelos dele, descendo para o rosto e contemplou-o por um segundo.

- Você não está bem. Não o vejo assim desde aquele dia que o encontrei bêbado na rua. Tirando o fato de que agora você está sóbrio. – sorriu segurando a mão dele.
- Ah Sophia! Eu mesmo nem sei o que está acontecendo. Pelo menos tenho você! – ele sorriu de volta, beijando-a suavemente no rosto.




Continua...
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Re: Amnésia (NC/17)

Mensagem por KristyAnne em Qui Jul 04, 2013 11:11 pm

CAPÍTULO 4 – RESPONSABILIDADES


Silver Lake, LA - Red Lion Tavern‎ - 25 de Agosto de 2008 - 12:10 am.

Lucy contemplava a cidade de LA pela janela da Limusine. Já passava da meia noite e ela havia pedido para o motorista levá-la ao endereço anotado num pequeno pedaço de papel, que o balconista da tabacaria havia lhe entregue.

Ela sentia-se angustiada, triste e confusa. Não imaginava que Alex sentia algo por ela além de amizade. Aquele beijo a fez perceber que tinha que descobrir a verdade sobre si mesma, antes de pensar em deixar-se envolver. Lembrou da angústia nos olhos de Alex e seu coração apertou ainda mais no peito.

Sabia que fora errado sair correndo daquele jeito, mas ver a expressão de assombro nos olhos da Holly lhe fez sentir a pior pessoa do mundo, uma aproveitadora ou, pior, uma prostituta. Será que ela era uma prostituta? Por isso esse sentimento a preenchia de modo cruel? Ela tinha que descobrir.

Desceu da limusine diante daquele Bar de classe média, bem afastado de Beverly Hills, mas um pouco próximo de West Hollywood. Ela enfiada naquele longo preto, chamava muita atenção, pegou a ponta da longa saia e puxou, rasgando toda a volta, transformando o longo em um tubinho básico.

Pediu ao motorista que retornasse à festa, para que Alex pudesse voltar para casa sem qualquer outro contratempo. Respirou fundo e adentrou no bar sem saber o que a esperava. O ambiente enfumaçado cheirava a bebida e cigarro. Ela caminhou olhando por todos os lados a procura do rapaz da tabacaria.

Ele fumava algo que parecia maconha, sentado diante do balcão do American Bar. Ela ficou espantada com esse pensamento, como poderia saber sobre isso? O cheio deixou-a calma e ela entendeu que drogas faziam parte de seu passado nebuloso e não ficou satisfeita com isso. Prometeu para si mesma que mudaria radicalmente de vida, independente do que descobrisse ou lembrasse.

Havia uma banda de blues tocando num pequeno palco ao fundo da pista de dança. Algumas mesas em volta e do lado esquerdo o bar. Lucy puxou um banquinho e sentou-se ao lado do rapaz.

- Ele a está procurando. Você não devia dar as caras nessa cidade. – falou o rapaz puxando a fumaça do cigarro e soltando vagarosamente.
- Não faço a mínima idéia do que você está falando ou quem esteja me procurando. – o olhar interrogativo era nítido na face juvenil.
- Isso não é brincadeira mocinha. Se ele descobrir que ainda está em LA, irá atrás de você e sabe lá o que ele possa fazer mais. – ele a encarou.
- Então, me explique o que está acontecendo. Aí penso no que devo fazer. – ela mantinha o olhar interrogativo.
- Você não sabe mesmo? – ele perguntou em dúvida.
- Olha, sofri um acidente e perdi a memória. Não sei nem meu próprio nome.
- Ok! Vou aceitar sua desculpa. Seu nome é Lucyelle Morgan, você é estudante de artes dramáticas na Universidade da Califórnia. Eu a conheci quando esteve na minha loja procurando um presente para enviar ao seu pai. Parece que é amante de charutos cubanos e minha loja é a melhor aqui em LA nesse assunto. – ele a olhou e vendo seu interesse e curiosidade, continuou.

- Depois nos encontramos por acaso numa festa de uma fraternidade masculina, conversamos por horas e acabamos amigos. A convidei para meu aniversário e lá lhe apresentei Robert. Quisera eu nunca ter feito isso. – ele suspirou fazendo sinal para o barman que trouxe um copo e mediu uma dose de uísque.
- Nossa! É muita informação. Eu faço faculdade de artes dramáticas! – ela arregalou os olhos, incrédula.
- Devia estar mais preocupada com o Robert. – comentou engolindo a dose de uísque e fazendo uma careta.
- Então me diga o que tem ele. – ela pediu ao barman o mesmo que seu acompanhante tomava.
- Olha, Robert sempre foi um bom cara. Esteve enrolado com umas paradas aí, mas começou a tomar rumo, sabe. Mas você bagunçou a vida dele e ele ficou completamente louco por você. Apaixonado e louco. – tragou mais um pouco do cigarro.
- Como assim? Eu e ele tivemos envolvidos? E louco de que forma? – ela tinha muitas perguntas ainda em sua cabeça.
- Você é jovem e inconseqüente. Veio para cá estudar e essa cidade é uma loucura mesmo. Você aproveitou dele, da paixão dele e quando percebeu que tinha muito mais a explorar o abandonou. Ele ficou senil, depressivo, voltou a usar drogas e a beber. Quando o vi, ele estava com uma semi-automática nas mãos e não falava coisa com coisa. – ele suspirou novamente, batendo o copo no balcão até o barman enchê-lo.
- E o que aconteceu? – ela ficou preocupada e seu pensamento vagou até Alex.
- Ele estava disposto a matá-la. Enfiou na cabeça que você tinha outro cara e disse que matava ele também. Mas a última notícia que ouvi dos amigos foi que ele esteve no seu quarto, na Universidade, e acabou matando sua amiga e o namorado dela. Os dois morreram enquanto faziam sexo. Dá para acreditar! – ele engoliu a bebida, agora um pouco mais devagar.
- Eu não sei o que dizer. – ela abaixou a cabeça entristecida e sorveu um gole da bebida que o barman deixara a sua frente.
- Robert esteve na minha loja dois dias atrás. Fazia um tempo que não o via. Perguntou por você, se eu sabia de alguma coisa, pois você havia desaparecido. Ele pensou que tinha saído da cidade e me falou que não tinha desistido e que ainda a mataria. A polícia também o procura, teve testemunhas do caso da sua amiga. E pensar que ele estava tomando jeito, agora é um cara perturbado, drogado, bêbado e juntou-se a uma gangue e pratica furtos de carros caros. – ele voltou o olhar para ela e seus olhos mantinham um ar de insatisfação.
- Sinto muito! – ela tocou a mão dele. – Você poderia me lembrar seu nome?
- John. – ele deu um leve sorriso. – Tome cuidado garota. Robert não é mais o amigo que conheci. E se você for esperta, irá embora de LA.

Nesse momento, ouve um tumulto na porta do bar. Alguns seguranças tentavam acalmar um homem bêbado que queria entrar de qualquer jeito. Lucy levantou-se esticando o pescoço para ver o que acontecia. O segurança mais forte conseguiu imobilizar o homem, jogando-o no chão e puxando os braços para trás.

Lucy deu dois passos à frente, os clientes tinham afastado para deixar os seguranças fazerem seu trabalho. Ela encarou curiosa o homem caído e quando ele foi erguido seus olhos pousaram nos dela.

- Eu sabia que era você! Vi quando desceu daquela limusine! Vadia, vagabunda! – ele escapou do segurança e avançou contra ela que ficou paralisada no lugar.
- Você está morta! Morta! Ouviu vadia? – sibilou entre os dentes face a face com Lucy no instante em que os seguranças o pegavam novamente.
- Mato você e seu amante! Ouviu vagabunda? – ele gritava enquanto era levado para fora do bar.

- Saia pelos fundos e vê se desaparece. – John puxou-a pelo braço, abriu a porta atrás do pequeno palco empurrando-a para fora. – Vá!

Embora atônita, Lucy começou a correr pela Teviot St e depois pela Silver Lake Blvd. Ao avistar um táxi acenou e entrou, informando ao motorista seu destino. Ela não tinha para onde ir a não ser voltar para o apartamento de Alex. Depois resolveria o que fazer e sairia logo da vida dele. Não podia deixá-lo sofrer por ajudá-la, era sua responsabilidade resolver tudo sem metê-lo em suas idiotices.

No percurso de volta ela absorvia tudo o que ouviu e viu. Sentiu enjôo e vontade de gritar. O táxi estacionou na porta do edifício, ela estendeu uma nota de 100 e saiu apressada sem esperar o troco. Parou diante da entrada, ficou tonta, encostou a mão no poste de luz, cambaleou e caiu.

Um minuto antes, a limusine trazendo Alex e Sophia estacionara logo que o táxi arrancou. Alex viu Lucy dar dois passos para trás e tocar o poste. Ele abriu a porta do veículo rapidamente chegando até ela a tempo de segurá-la em seus braços quando ela cambaleou e caiu. Sophia desceu logo atrás e foi ao encontro do amigo.

- O meu Deus! Ela está bem? – perguntou Sophia agitada.
- Não. Ela desmaiou. – Alex ergueu o corpo de Lucy passando um dos braços dela atrás de seu pescoço e segurou-a em seu colo.

No apartamento, Alex depositou suavemente o corpo imóvel de Lucy em sua cama. Cobriu-a e arrumou o travesseiro atrás de sua cabeça.

- Ela está com febre. – comentou Sophia ao tocar a testa de Lucy.
- Vou chamar um médico. – Alex caminhou apressado até a sala.

Sophia retirou o casaco, foi até o banheiro e retornou com uma toalha molhada colocando-a na testa de Lucy. Foi à cozinha e trouxe água gelada. Alex retornou da sala e viu Sophia fazendo compressa na pequena desconhecida.

- Soph! Não precisa fazer isso. Já chamei um médico. – pediu entristecido.
- Até o médico chegar, eu cuido disso. Não me custa nada. – disse olhando para ele com um sorriso encantador nos lábios.
- Você é realmente maravilhosa. – suspirou admirado.
- O que é isso Alex! Eu faria o mesmo por qualquer pessoa. – Sophia corou levemente as maçãs do rosto.

Quinze minutos depois, o médico examinava Lucy enquanto Alex e Sophia esperavam na sala em silêncio. Sophia olhava para Alex com uma grande vontade de perguntar sobre o que estaria acontecendo. Seu nervosismo aumentava gradativamente, esfregando as mãos e passando-as nos cabelos loiros. Ela olhava para os lados e logo encontrou o olhos de Alex fixos nela. Sophia respirou fundo e quebrou o silêncio.

- Então... percebi que você conhece a moça. Não vai me dizer quem ela é? – Sophia realmente estava curiosa quanto a isso.
- Bem... é complicado. Lembra a festa que o Jason fez para comemorar os novos contratos e que acabei me desentendendo com a Holly?
- Como poderia esquecer? A Holly deixou bem claro que não gosta de mim. Eu já havia percebido nos bastidores das gravações de Moonlight. Principalmente, quando estávamos gravando Black Cristal. – Sophia desviou o olhar por um momento.
- É, eu sei. Depois da cena do chuveiro eu tive que ouvi-la criticar o roteiro. – ele sorriu e continuou. - Então, eu fui caminhar para espairecer e no meio da minha distração ela esbarrou em mim. Quando reclamei, ela saiu correndo para o meio da rua e foi atropelada.
- Meu Deus Alex! – Sophia segurou a mão de Alex por instinto e quando percebeu retirou-a rapidamente.
- Eu acompanhei o resgate e fiquei com ela o tempo todo enquanto esteve em coma. Depois, quando acordou, não se lembrava de nada. O que eu podia fazer Sophia? – ele a olhou novamente com tristeza.
- Você a trouxe para cá? Nossa Alex! Concordo que é uma atitude bonita da sua parte, mas você nem a conhece. Não pensou que poderia ser perigoso? – ela segurou as mãos para não tocar em Alex novamente.
- Soph. Na hora eu apenas queria confortá-la. Ela é uma menina ainda e estava completamente perdida. Se eu não a ajudasse, nunca me perdoaria. – ele levantou passando a mão direita nos cabelos.

- Ela está bem. Mas creio que seja melhor que faça alguns exames. Por enquanto ela precisa descansar. – disse o médico ao voltar do quarto.
- Que exames seriam? – perguntou Alex.
- Apenas rotina Senhor O’Loughlin. Leve-a até meu consultório amanhã logo cedo e conversamos. – o médico estendeu a mão para Alex em despedida. – Até mais.
- Obrigado Doutor. – Alex fechou a porta e virou-se ficando de frente com Sophia.
- Ela está bem, então acho melhor eu ir. – Sophia abaixou a cabeça para não encará-lo.
- Obrigado Soph! Não sei o que seria de mim sem você nesses últimos meses. – ele levantou o rosto dela apoiando os dedos no queixo delicado.
- Imagina Alex! Fico feliz em ajudar. – agradeceu constrangida.

Ele a abraçou forte e carinhosamente. Sophia retribuiu o abraço, suspirando fundo. Fazia alguns meses que ela não sentia o calor dele. Amava o perfume e o toque de Alex. Talvez ela o amasse também, mas seus sentimentos ainda eram confusos, pois sempre houve pessoas entre os dois e, agora, tinha a tal garota. Sophia se sentiu egoísta com tal pensamento, engoliu a seco, desvencilhou do abraço de Alex, abaixou a cabeça dando um sorriso tímido e saiu sem olhar para trás.

Alex percebeu um clima tenso entre ele e Sophia. Talvez as coisas pudessem ter sido diferentes, mas ele sabia que não havia jeito de mudar o passado. Holly fora muito importante na vida dele, principalmente quando veio para LA. Quando se conheceram, ela o ajudou com alguns contatos que já havia feito em Hollywood, por estar em LA há mais tempo que ele. E ela foi a responsável por Joel Silver o cotar para o papel de Mick St. John, personagem esse que, definitivamente, ampliou as possibilidades de crescer na carreira como ator.

Não, por mais que ele e Holly nunca tenham tido um namoro tranqüilo, ele devia a ela a tentativa de se acertarem. Mas, agora, não havia mais tentativas e ele só queria esquecer tudo o que Holly aprontara. Pensaria sobre o futuro e Sophia outra hora, tinha que ajudar Lucy e, assim, caminhou até o quarto encontrando-a dormindo tranquilamente.

Alex desfez o nó da gravata, tirou o blazer e os sapatos, sentou na cama ao lado de Lucy, com cuidado para não acordá-la. Passou a mão delicadamente nos cabelos caramelo dela e ali ficou até adormecer também.

Acordou com um raio de Sol em seu rosto. Ele apertou os olhos embaçados e olhou para Lucy. Ela estava abraçada na cintura dele, com a cabeça em seu colo, ainda dormindo angelicalmente. Alex retirou-a cuidadosamente e levantou indo para o banheiro. Viu seu rosto cansado no espelho e pensou no que faria agora.

Encostou a porta, despiu-se e entrou no box, para uma longa ducha. Vinte minutos haviam se passado e ele estava perdido em seus pensamentos, com a testa e os cotovelos encostados nos azulejos, suas mãos cruzadas na nuca. A água quente soltava muito vapor e o banheiro ficou submerso naquela neblina quente e úmida.

Ele subitamente virou-se quando foi acordado de seus sonhos ao ser abraçado por trás. A fumaça era densa e ele não conseguia ver quem era até que ela o abraçasse novamente.

- O que foi Alex? Pensei que era isso que queria! – ela jogou os braços no pescoço dele aproximando perigosamente seus lábios rosados dos dele.
- Eu não sei o que quero Lucy. – ele não reagiu.

Eles ficaram ali por um minuto, olhos nos olhos e Alex começou a sentir-se ofegante e necessitado. Lucy vestia uma camiseta branca dele, que agora estava encharcada com a água, mostrando as curvas dos seios pequenos, insinuando a barriga bem desenhada.

- Por favor! Saia daqui Lucy! – implorou ele quando a ereção de seu membro chegava ao máxime.
- E se eu não sair? – disse desafiadoramente.
- Saia agora! Antes que eu... – ele mordeu os lábios.
- Antes que você? – ela passou a língua no queixo dele.

Ele segurou forte o rosto dela trazendo-o para si, beijou-a ferozmente que retribuiu o beijo à altura. Alex a segurou levantando-a em seu colo enquanto retirava a calcinha dela com urgência. Lucy cruzou as pernas na cintura dele e Alex girou o corpo, fazendo com que as costas dela ficasse contra a parede do box.

Pressionou o corpo esbelto, deslizando as mãos até alcançar a ponta da camiseta, livrando o corpo feminino daquele empecilho. Comprimiu seu tórax bem definido contra ela, beijando o pescoço até a orelha. Mordiscou de leve e procurou pela boca rosada dela. Enfiou a língua gulosa e sorveu o beijo quente e ansioso de Lucy.

Ela apertou a cintura dele um pouco mais com as pernas. Ele sorriu afastando um pouco para alinhar a posição entre eles. Abaixou levemente a cabeça, lambeu os mamilos delicados dos seios pequenos, apertando forte o bumbum feminino com as mãos.

Lucy entrelaçou as mãos nos cabelos dele, puxando-o para ela. Alex obedeceu e, ao comprimir novamente seu corpo no dela, penetrou-a com cobiça, entrando por completo dentro dela de uma só vez.

O corpo feminino vibrou de excitação, fazendo com que Lucy cravasse as unhas no ombro dele. Alex se deliciou com o prazer da dor, o que aumentou ainda mais seu desejo. Movimentou-se dentro dela com entusiasmo, fazendo os gemidos suaves tornarem-se graves. A pulsação do membro masculino intensificava, chegando ao ponto máximo que Alex podia suportar, deixando-se libertar assim que sentiu sua amante atingir o êxtase. O gozo de ambos misturou-se e o cheiro de sexo impregnou nos corpos ali unidos embaixo da ducha.

Apesar de terem chegado ao clímax juntos, Alex parou e contemplou o rosto de Lucy. Naquele momento, ele não via a menina indefesa que ajudou algumas semanas atrás e sim de uma mulher que estava descobrindo o mundo.

Ela mordeu os lábios e o olhou com mais desejo e Alex entendeu o sentido daquele olhar. Sem tirar as pernas dela de sua cintura, saiu do banheiro, deitando-a na cama e, ainda dentro dela, recomeçaram do zero. Alex não conseguia pensar em mais nada, a adrenalina, a excitação, o desejo e o cheiro de sexo o deixara louco. E Lucy era exatamente o tipo de mulher que ele gostava de ter na cama, jovem, sensual e selvagem.

Após algumas horas de plena atividade, ambos dormiram abraçados por toda à tarde. Alex acordou às 09:13pm com o telefone. Estendeu o braço esquerdo e pôs o fone no ouvido.

- Alô. – disse sonolento.
- Alô? – repetiu após o silêncio do outro lado da linha.
- Alô? – insistiu e a linha foi rompida.

- Estranho. – comentou recolocando o fone no gancho.
- O que foi? – perguntou Lucy ainda abraçada no corpo de Alex.
- Ninguém respondeu. Deve ter sido engano. – respondeu despreocupado, beijando suavemente a testa dela.
- É, deve ter sido. – sussurrou Lucy imaginando que poderia ser Robert.
- O que foi? Ficou gelada de repente! – observou Alex esfregando as mãos nos braços dela.
- Nada. Deve ser a pressão que baixou. – acalmou ela.
- Eu devia tê-la levado ao consultório do Dr. Wash hoje. Iremos logo que amanhecer está bem?
- Tudo bem. – respondeu calmamente.

Lucy esperou até que Alex dormisse novamente. Levantou sorrateiramente, foi até o quarto de hóspedes, arrumou as poucas peças de roupas que tinha em uma pequena mochila que havia no armário. Deixou um bilhete na escrivaninha da entrada do apartamento e saiu.

Logo que amanheceu, Alex não viu Lucy ao seu lado. Levantou e chamou por ela ao percorrer todo o apartamento. Ao entrar no quarto de hóspedes viu alguns cabides vazios em cima da cama, abriu o armário e todas as roupas mais simples, como jeans e camisetas, haviam sumido. Ele balançou a cabeça, ‘Ela foi embora’, pensou tentando entender o que fizera de errado. Deu dois passos para trás e pisou num pedaço de papel. Abaixou para pegá-lo e leu o endereço nele rabiscado, ‘Red Lion Tavern‎, 2366 Glendale Blvd’.

Ele voltou para o quarto, trocou-se, enfiou o papel no bolso da jaqueta de couro, pegou as luvas e o capacete. Antes de sair, abriu a pequena gaveta da escrivaninha, tirou as chaves da moto e ao fechar, viu o bilhete deixado por Lucy, ‘Obrigada pelos lindos momentos e pelos cuidados, mas não posso deixá-lo pagar pelos meus erros. Sinto muito. Com amor, Lucyelle.’

Alex parou e releu a última palavra, ‘Lucyelle’. Esse era o verdadeiro nome dela. Será que ela lembrou ou alguém contou a ela? A única coisa que ele tinha certeza era de onde Lucy havia estado depois que saiu correndo da festa na outra noite. E, era bem provável, que fora lá que ela soube seu nome.

Ele jogou o bilhete no chão, bateu a porta atrás de si, desceu até a garagem, girou a chave de sua Kawazaki Vulcan 1700 preta, girando o acelerador, fazendo o motor roncar poderoso. Engatou a primeira, soltou e embreagem e arrancou. Parou alguns minutos depois, em frente ao bar. Tirou o capacete e observou o lugar. Apesar de trancado, um casal estava lá dentro, o homem limpava o American Bar e arrumava as bebidas, a mulher limpava o chão e as poucas mesas em volta do pequeno palco. Alex bateu e a mulher veio atender.

- Estamos fechados. – anunciou ela.
- Eu sei. Estou procurando uma pessoa. Ela esteve aqui duas noites atrás. – mostrou-se preocupado o que fez a mulher gritar para o homem no bar.
- Quem você procura? – perguntou o homem ao vir até o encontro de Alex.
- Uma moça, mais ou menos com 20 anos de idade, 1,75 de altura, cabelos caramelo ondulados, olhos verdes marcantes. – ele sinalizava com as mãos à medida que a descrevia.
- Hum... nunca vi. – o homem lançou um olhar de quem queria algo para falar.
- Talvez isso o ajude a lembrar. – Alex estendeu uma nota de cem que o homem pegou, enfiando no bolso da calça surrada.
- Entre. – pediu e, antes de fechar a porta, certificou-se que não havia ninguém observando.


Universidade da Califórnia – 25 de Agosto, 2008 - 08:16am

- Por onde esteve Lucy? – perguntou Alice quando viu Lucy caminhando pelo campus.
- Por aí! – respondeu sem saber quem era a garota.
- Você sumiu na noite que Emma e Edward foram assassinados. Pensamos que estivesse morta! – Alice falava sem parar.
- Calma! Eu sofri um acidente e não me lembro de muita coisa. Quem é Emma e Edward? E quem é você? – Lucy suspirou angustiada.
- Isso é alguma piada? Sou eu Alice! – a moça segurou a mão de Lucy.
- Desculpe! – Lucy balançou a cabeça negativamente.
- Emma era sua melhor amiga e colega de quarto. Edward o namorado dela. Você não se lembra de nada mesmo?
- Nadinha! Só cheguei aqui porque encontrei o John por acaso.
- Vem, vamos sentar aqui. – Alice puxou Lucy e ambas sentaram num banco do imenso jardim que cercava a entrada principal do bloco de Artes Dramáticas.
- Um cara entrou aqui e atirou neles. Bem, eu sei que você não gostava que Emma usasse seu espaço nem suas coisas, mas ela preferia sua cama por ser maior. Eles estavam, bem, você sabe, na sua cama. Por isso eu e Dylan achamos que esse cara queria matar você! – Alice encarava Lucy ainda desacreditada da amnésia da amiga.
- É talvez! John me disse que eu tinha um namorado ciumento. – Lucy escolheu com cuidado as palavras, não sabia se podia confia em Alice.
- Você andava estranha nos últimos meses, não me admiro que não tenha contado sobre estar namorando.
- Estranha como? – perguntou Lucy realmente curiosa.
- Você sempre foi certinha. Tipo, estudiosa, comportada, metódica e não era de freqüentar festas.
- Você quer dizer que eu era chata. – resmungou Lucy.
- É você quem está dizendo. – riu Alice e continuou. – Um dia, estávamos indo ao shopping e você ficou meio desligada, desatenta e disse que não se sentia bem. Foi para o meio da rua, parou um táxi aos gritos e sumiu por dois dias. O diretor de curso tentou encontrar seus pais, mas eles não tinham voltado da Grécia.
- Meus pais? Grécia? – Lucy ergueu as sobrancelhas.
- Lucy, seu pai é o empresário do ramo de informática mais rico da Europa. – Alice arregalou os olhos, inconformada com a situação de Lucy.
- Ah! Acho que foi por isso que me perdi do resto do mundo. – soltou uma risada mórbida.
- Não tem graça Lucy! Vou levá-la a enfermaria. – Alice pegou o braço da amiga.
- Isso não é necessário. Estou bem! – sibilou entre dentes.
- Temos que ter certeza! – insistiu Alice.

Lucy aceitou ser praticamente arrastada até o Hospital Universitário, localizado ao lado norte do Campus. Andaram por dez minutos em pleno silêncio e Lucy aproveitou para prestar atenção no caminho e nas pessoas que passavam.

- Ela parece bem! – dizia a médica enquanto checava as pupilas de Lucy.
- Eu falei para Alice, mas ela insistiu. – suspirou Lucy.
- É claro! Você desaparece por quase um mês e retorna com a cabeça oca! – falou Alice debochada.
- Vou receitar um calmante. Você parece cansada, precisa dormir. – orientou a doutora.

Vinte minutos depois Alice levou Lucy ao alojamento e mostrou-lhe seu quarto. Lucy entrou e sentiu familiarizada com o lugar. Reconheceu apenas uma agenda sobre a escrivaninha. Pegou-a e folheou curiosa.

- Isso é meu, não é? – perguntou à amiga que apenas acenou positivamente com a cabeça.

Havia muitas anotações. Lugares onde foi, pessoas que conheceu, alguns números dispersos e na última página escrita faltava um pedaço da folha. Alguém a rasgara com pressa. Ela fechou os olhos, tocando o canto do rasgo com a ponta dos dedos. Alguns números vieram em sua cabeça em forma de lampejos, mas conseguiu organizar e ao abrir os olhos sussurrou ‘310246 4600’, olhando assustada para Alice.

- O que é isso? – perguntou devolvendo o olhar assustado.
- Acho que é um número de telefone. – Lucy levou a mão até o aparelho em cima da escrivaninha e discou.
‘Aqui é Verônica. Deixe seu recado e número que retorno assim que possível. ’
- E aí? – perguntou Alice nervosa.
- Secretária eletrônica. – suspirou desapontada.

Lucy discou novamente, agora para a central de ajuda. Pediu informações sobre o número e, depois de uma mentirinha sobre um possível seqüestro, a telefonista deu a ela o endereço correspondente.

- E agora? – perguntou Alice curiosa.
- Irei até lá. – falou pegando a mochila no chão.

Lucy abriu a mochila e despejou suas poucas coisas em cima da cama. Pegou o número do Alex que tinha anotado antes de ir embora. Olhou-o chorosa dobrando-o e enfiando-o no bolso da calça jeans rasgada que usava.

- Você está louca? Não vou deixar que vá sozinha! – Alice ficou de pé na porta impedindo Lucy de sair.
- Alice, eu preciso saber o que aconteceu! E tenho que fazer isso sozinha. Pessoas já morreram por minha causa, não serei responsável por mais nenhuma morte! – declarou aborrecida.
- Então leve isso. Se precisar me ligue. Prometa! – pediu entregando um celular para Lucy.
- Tudo bem! Prometo! Agora posso ir?
- Tome cuidado! – implorou Alice.

Alice abraçou a amiga com receio. Lucy sorriu constrangida, pois ainda não se sentia amiga daquela garota. Saiu do dormitório atravessando quase todo o Campus em um passo lento. Duas coisas passavam em sua cabeça, saber o que tinha acontecido e se Alex estaria bem.




Continua...


Última edição por KristyAnne em Sex Jul 05, 2013 12:05 am, editado 1 vez(es)
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Re: Amnésia (NC/17)

Mensagem por KristyAnne em Qui Jul 04, 2013 11:41 pm

Silver Lake, LA - Red Lion Tavern‎ - 25 de Agosto, 2008 - 07:55 am

- Não há muito que dizer. – comentava o barman enquanto organizava as garrafas nas prateleiras.
- Qualquer coisa será útil. – insistiu Alex.
- Aquela moça vinha aqui vez ou outra, acompanhada por um rapaz bem simpático. Esse cara era legal, sempre deixava boas gorjetas para mim. Uma noite, veio aqui e encheu a cara. Balbuciava palavras horríveis e, quando pedi para ir embora, ele simplesmente surtou. Quebrou quase tudo por aqui. Desde então, ficou proibido de voltar. – voltou para o balcão e serviu uma dose de whisky para ele e Alex.
- Oh, obrigado! Mas não é meio cedo para beber? – questionou.
- Deixe disso! Você está em um bar, o que esperava? – sorriu irônico.
- E depois disso? – Alex sorveu a dose de uma vez.
- A noite passada. Essa moça veio e conversou com John, amigo fiel sabe? Ele quem me ajudou com o emprego que tenho. Ouvi algumas coisas, muito barulho por causa da banda que tocava. Ela é estudante na Universidade da Califórnia e deve ser atriz para fazer artes dramáticas. – fez uma careta ao beber sua dose.
- E o que mais? – insistiu novamente.
- Algo sobre ter responsabilidades na mudança da personalidade desse rapaz que quebrou o bar. Eles tinha um envolvimento. John me contou sobre ele, acho que se chama Robert. Falou de como o cara ficou arrasado quando ela o deixou. O fato é que ele a viu entrar aqui e tentou pegá-la. Estava realmente transtornado. Ela saiu correndo pelos fundos. – pegou os copos, enxaguando-os e recolocando na prateleira.
- Sabe onde posso encontrá-lo?
- Não! John apenas comentou os fatos, só o conheci de vista. E não vou lhe dizer onde encontrar meu amigo John. Não quero metê-lo em encrencas. – o barman apoiou as mãos no balcão com olhar de poucos amigos.
- Ok! Entendi. Obrigado pela ajuda. – Alex tirou uma nota de 50 do bolso e pagou a bebida. – Fique com o troco.

Alex rodou por LA sem êxito e pensou que talvez, Lucy fosse determinada o bastante para voltar à Universidade. Seria perigoso, pois depois da confusão que Robert aprontou no bar na noite anterior, ele talvez tivesse o mesmo pensamento e a procurasse na Universidade.

Os alunos dispersos pelo Campus indicavam o intervalo das aulas. Alex parou sua moto no estacionamento vislumbrando o lugar por alguns minutos. Um grupo de seis pessoas passou em sua frente e ele pediu informações sobre o bloco de Artes Dramáticas. Uma das moças sorriu amistosa apontando a direção que ele deveria ir. Dez minutos de caminhada, Alex encontrou o prédio e dirigiu-se à secretaria.

- Sinto muito Senhor O’Loughlin. Não podemos dar informações sobre os alunos, ao menos que seja parente. – comentava a recepcionista enquanto organizava alguns papéis.
- Mas é importante. Sou amigo dela e preciso encontrá-la urgente. – pedia um pouco exaltado.
- Infelizmente não tem nada que posso fazer. Sinto muito! – concluiu olhando-o seriamente.

Ele se afastou do balcão aflito, passando as mãos nos cabelos. Duas amigas entraram na secretaria e uma delas gritou assustada quando ficou diante de Alex.

- Ah! Meu Deus! Não pode ser! – exclamou aos gritos.
- É ele mesmo, Mary! É o Mick St. John! – gritou a outra.
- Não meninas. Meu nome é Alex. Mick era um personagem que fiz. – esclareceu constrangido com a gritaria.

Por causa do barulho, muitos alunos que estavam no corredor, aglomeraram diante da porta da secretaria. A funcionária assistiu a cena curiosa e percebeu tratar-se de um ator. Puxou um bloco de anotações debaixo do balcão.

- Poderia me dar um autógrafo? – perguntou animada.
- Humm... podemos fazer uma acordo? – retrucou Alex piscando para a moça.

Após vinte minutos de autógrafos, um segurança do Campus foi chamado para conter a confusão e escoltar Alex pelos corredores. Ele já estava cansado de acenar e sorrir para todos que passavam. Seus ouvidos doíam com tanta gritaria. Alcançaram os alojamentos e, finalmente, estava diante do quarto de Lucy. Bateu na porta e alguns segundos depois uma moça loira, alta, extremamente magra atendeu com um sorriso enorme na face.

- Olá! Estou procurando por Lucyelle. – ele falou sorrindo.
- Ela esteve aqui mais cedo. Só que não a vi. – relatou.
- Então como sabe que ela esteve aqui? – perguntou confuso.
- A amiga dela quem a viu. – declarou.
- Por acaso eu poderia falar com essa amiga. – pediu amistoso.
- Claro! – a moça abriu mais a porta deixando-o entrar.

Sentada na cama estava Alice. Organizando a bagunça que Lucy deixara um pouco mais cedo. Alex reconheceu as peças de roupa e arregalou os olhos, confrontando a garota.

- Hey! Você sabe onde Lucy está? – perguntou aflito.
- Na verdade não. Ela ligou para alguém e depois saiu. – relatou Alice.
- Preciso encontrá-la de qualquer jeito.
- Olha, normalmente não faria isso. Mas você me parece confiável. Acho que ela se lembrou de alguma coisa depois que pegou a agenda. – disse folheando a agenda, parando na página rasgada. – Aqui!

Alex pegou a agenda e olhando a página lembrou-se do pedaço de papel que fora encontrado na mão de Lucy no dia do atropelamento. Ele soltou a agenda no chão e saiu pela porta apressado, balbuciando um ‘Obrigado!’ quase inaudível para a moça.

- Alice, ele me pareceu familiar. – comentou a loira.
- Também achei. – respondeu Alice.

Meia hora depois, em seu apartamento, Alex praticamente desmontava o closet, procurando pela pequena caixa onde guardara o pedaço de papel. Ele pensou em perguntar à Lucy sobre isso, mas estava esperando uma oportunidade. Agora era tudo que ele tinha para encontrá-la.

- Aqui está! – comemorou. – Deve ser um número de telefone!

Foi até o lado da cama e pegou o fone discando os números anotados no papel rasgado. Dessa vez, não foi a secretária eletrônica quem atendeu.

- Sim? – sussurrou a voz feminina do outro lado da linha.
- Oi! Bem... uma amiga me passou esse número para contato e preciso falar com ela. – mentiu.
- Se você falar o nome da amiga ajudaria. – brincou a moça.
- Qual seu nome? – tentou ser gentil.
- Verônica.
- Tudo bem Verônica? Desculpe pela pressa, mas é importante. Procuro Lucyelle. Por acaso ela esteve aí ou você saberia onde ela está? – falou simpático.
- Quem é? – perguntou desconfiada.
- Meu nome é Alex.
- Anota o endereço. Conversaremos pessoalmente.

Após anotar o endereço, Alex saiu ainda mais apressado. Cortou LA com sua moto como se estivesse em uma corrida. No subúrbio de LA, ele estacionou diante de um velho prédio. Subiu as escadas até o último andar, já que o elevador estava quebrado. Bateu no apartamento 910 e Verônica, com seus 1,77 de altura, morena de olhos castanhos atendeu, pedindo para ele entrar.

- Quando ela me contou sobre você, não imaginei que fosse tão bonito! – exclamou acenando para ele sentar-se.
- Obrigado! Então, ela esteve aqui? – a aflição em sua voz era nítida.
- Sim. Umas duas horas atrás. Estivemos procurando por ela e foi um alívio saber que está bem. – suspirou Verônica.
- Há mais pessoas atrás dela?
- Alex, certo? Não tenho permissão para dizer tudo. Apenas deixe-a resolver sozinha. Não vai querer se meter nessa história. – alertou.
- Já estou mais que ‘metido’. Ela se tornou importante para mim. – suspirou olhando de forma triste para Verônica.
- Escute! Lucy é uma pessoa esperta e bem treinada. O fato de ter perdido a memória a deixa um pouco suscetível, mas ela ficará bem se você não atrapalhar.
- Bem treinada? O que quer dizer? – ele balançou a cabeça tentando entender.
- Apenas fique longe, ok?
- Não! Você não entende? Preciso saber onde ela está! – sua voz saiu ríspida.
- Tudo bem! Não direi onde está, mas onde estará. E, depois disso, fique longe ou pode se arrepender.

Verônica anotou o endereço de uma cafeteria, não muito distante de LA. Entregou a ele, alertando-o novamente para ficar longe. Assim que voltou ao seu apartamento, Alex retirou o papel do bolso, ‘The Coffe Gallery - 2029 Lake Ave, Altadena, CA, USA’.

Deitou no sofá com o papel nas mãos. Passou o braço atrás do pescoço e ficou ali fitando o teto por uma longa hora, sendo despertado pelo som do telefone.

- Hey, Alex?
- Sim!
- Sou eu, Sophia! Sabe... o que conversamos aquele dia nos estúdios da CBS. Bem... sobre sairmos juntos como antes. Você disse que não fazia mais isso por causa da Holly e ela... quero dizer...
- Claro Soph! Adoraria sair contigo! – concordou antes mesmo de o convite ser totalmente feito.
- Ah! Que ótimo! – comemorou. – Às 08:00pm no Yang Chow?
- Como nos velhos tempos, certo? – falou animado.
- Certo!

Alex desligou o telefone sorrindo. Realmente era uma ótima idéia passar o tempo com Sophia. Ela sempre foi uma excelente companhia, muito divertida e o fazia esquecer os problemas. E, até o dia 30 de Agosto, ele precisaria de muita distração, pois era esse o dia em que Lucy estaria no Café em Pasadena.


Yang Chow Restaurant, LA – 08:42 pm

Alex se atrasou para o encontro com Sophia. O trânsito na entrada da N Broadway fluíra vagarosamente e ele suspirou arrependido de não ter ido de moto. Por outro lado, a ideia de ir de carro era a mais adequada, já que ele pretendia levar Sophia em casa e em uma moto, não seria elegante da parte dele.

Naquela parte de Los Angeles ficavam os grandes restaurantes e hotéis ao estilo chinês. Yang Chow era um dos mais famosos restaurantes da categoria e localizava-se logo em frente ao Chinatown Plaza Hotel na N Broadway.

Naquela noite específica, toda a extensão da rua estava lotada de pessoas e carros. Provavelmente celebridades participavam de alguma festa ou algo do gênero. Alex fechou o vidro do carro, o filme escuro impediria que as pessoas o vissem e fossem tentar pará-lo para conversar. Ele sabia muito bem a situação que se formaria caso alguém o reconhecesse.

Pegou seu celular e discou o número da Sophia, mas a ligação não completava e ele jogou o aparelho no banco do passageiro, quicando e caindo no chão. Bateu as mãos no volante irritado. Mais dez minutos e parou em fila dupla na frente do restaurante. Desceu apressado e jogou as chaves para o manobrista. Na recepção, a linda morena o encarou séria enquanto aguardava que falasse.

- Uma amiga deve estar a minha espera há algum tempo. Myles, Sophia Myles. – falou um pouco sem fôlego por causa da pequena corrida entre o carro e a recepção do restaurante.
- Um instante. – ela percorreu a lista de reservas com o dedo. – Mesa 54, mas já pediram a conta.
- Já fecharam?
- Ainda não.
- Onde fica a mesa?
- Perto das janelas. – ela assinalou com as mãos.
- Obrigado! – respirou fundo e entrou apressado.

No meio do restaurante, Alex procurou pelas mesas laterais e viu Sophia sentada bem próxima à janela, um rapaz moreno claro, cabelos castanhos claros, aparentando uns 35 anos fazia-lhe companhia. Alex passou as mãos nos cabelos, ajeitando-os, arrumou a gola da camisa preta por baixo do casaco também preto e aproximou.

- Desculpe o atraso. Trânsito ruim. – ele sorriu para ela.
- Oh! Você veio! – os olhos dela brilharam.
- Mas se estiverem ocupados ou de saída... – Alex tentou parecer amigável, mas se sentia desconfortável com a presença do desconhecido rapaz.
- Claro que não! Junte-se a nós. – o moço sorriu simpático para Alex.
- Oh! Que educação a minha. Alex este é Michael Bublé. – apresentou.
- Muito prazer! Sophia fala muito de você. – Michael levantou cumprimentando Alex.
- Michael Bublé, o cantor? – Alex ficou parado com o olhar assustado por um momento rápido.
- E ator, assim como você. – Michael riu simpático e olhou para Sophia que parecia sem saber o que fazer.
- Como eu estava aqui sozinha ele pediu para me fazer companhia e como você não chegou, ofereceu para me levar em casa. – explicou ela.
- Sophia é a mulher mais encantadora que tive a sorte de conhecer aqui em LA. – Michael pegou na mão de Sophia que estava sobre a mesa.
- Sempre um cavalheiro. – ela sorriu simpática retirando a mão da dele.
- Bem... agora que seu amigo chegou, vou deixá-la em paz. – brincou, levantando para se retirar. – Novamente, um imenso prazer conhecê-lo.
- Faço das suas minhas palavras. – Alex se despediu de Michael.

- Desde quando você o conhece Sophia? – perguntou curioso.
- Ora Alex! Desde que cheguei aqui há um ano. Ele está sempre por aí em turnês, então é difícil nos vermos. A última vez que estivemos juntos, foi naquela noite que encontrei você bêbado na rua e o levei para minha casa. Não lembra?
- Vagamente. E dele menos ainda. – riu balançando a cabeça.
- É um amigo querido, só isso. – se justificou para que Alex não pensasse que ela e Michael tinham algum caso.

Michael passou pela recepção e falou com a morena, cancelando o pedido de fechamento da mesa e solicitando que enviassem à Sophia e Alex o melhor vinho tinto da casa por sua conta. Saiu em passos mansos, devagar, respirando o ar levemente frio da noite de LA. Não tinha com que se preocupar, a maioria das pessoas que circulavam na rua não o reconheceria, afinal, ele não era uma celebridade que estava na moda ou o homem mais sexy indicado pela Revista People.

Puxou a gola de seu casaco marrom, tampando um pouco o pescoço, enfiou as mãos nos bolsos da calça jeans escura. O manobrista veio ao seu encontro e ele fez sinal de que não iria pegar o carro naquele momento. Resolveu dar uma volta pela rua, passou pela calçada e olhou para as grandes janelas do Yang Chow, avistando Sophia e Alex rindo como crianças. Sorriu tristemente, ele queria muito que Alex não tivesse aparecido, mas já que apareceu, não seria ele, Michael, que daria uma de rebelde e estragaria a noite dela. Apertou os lábios e seguiu sua caminhada.

- Pára Alex! Você é um bobo! – Sophia pedia em meio a risos.
- E não é verdade? Confessa que ficava atraída por mim sempre que eu saia da maquiagem com aqueles olhos aterrorizantes e os dentões de vampiro. – ele bebia o vinho que Michael os presenteou como se fosse água.
- Ok! Confesso. Sou apaixonada por você. – ela engoliu o vinho engasgando quando percebeu o que tinha acabado de dizer.
- O quê? – Alex a encarou achando que tinha ouvido errado.
- Confesso que sou apaixonada por isso. Vampiros. Foi o que falei. – tentou corrigir.
- Não foi o que entendi. – ele ficou sério balançando a cabeça para pôr os pensamentos em ordem.
- Olha só. O vinho já está mexendo contigo. – desconversou.
- É. Seu amigo deve ter nos drogado. – brincou.
- Imagina! Michael nunca faria algo assim. – defendeu.
- Hey! Estou brincando. Mas que ele gosta de você gosta! – Alex piscou divertido.
- Eu também gosto dele. É um grande amigo. – sorriu.
- Não! Ele gosta de você como mulher. – Alex a olhou com um sorriso torto na face.
- Mesmo? Não percebi. – ela tomou um pequeno gole do vinho.
- Mas eu sim. – ele tornou o restante do líquido na taça.
- Eu acho que você está com ciúmes. – Sophia piscou animada com a possibilidade.
- E não era para estar? Afinal, o encontro era comigo e não com ele.
- Está falando sério?
- Soph! Somos amigos e amigos também sentem ciúmes. – justificou.
- Claro. Amigos. – suspirou contrariada.

Conversaram, beberam e jantaram. Três horas mais tarde, Alex estacionou em frente ao edifício onde Sophia morava em West Hollywood. Um longo minuto de silêncio constrangedor tomou conta do carro.

- Obrigada pela maravilhosa companhia. – Sophia agradeceu quebrando o silêncio.
- Eu que tenho que agradecer por ter esperado. – Alex sorriu torto, um pouco sem jeito.

Ela sorriu, aproximou dele e o beijou no rosto. Um beijo suave e quente. Alex fechou os olhos e respirou fundo. Sophia abriu a porta do carro e ia saindo quando ele a puxou pelo braço trazendo-a de volta.

- É verdade o que me disse no restaurante? – tomou coragem e perguntou.
- Sobre o quê? – fez-se de desentendida.
- Sobre... estar apaixonada por mim? – encarou-a intensamente.
- Eu... eu não quis dizer isso. – gaguejou.
- Mas disse. Então, é verdade ou não? – insistiu.
- Preciso ir. Desculpe. – ela saiu correndo e entrou no prédio sem olhar para trás.

Alex ficou mais cinco minutos diante do edifício, relembrando toda a conversa que tiveram, analisando cada detalhe que passava em sua cabeça. Chegando a conclusão de que Sophia realmente gostava dele. ‘E agora Alex?’, pensava. Ele também gostava dela, mas nunca havia imaginado algo entre eles além do que já tinham.

Sua vida havia virado de cabeça para baixo em pouco tempo. O término com Holly, a linda e misteriosa Lucy e, agora, Sophia declaradamente apaixonada por ele. Tinha que resolver sua vida, o que realmente queria. Arrancou com o carro, retornando ao seu apartamento.

Teve uma longa noite, mal conseguiu dormir. Acordou com dor de cabeça por causa do vinho. A CBS havia deixado um recado na secretária eletrônica. Ele tinha que estar nos estúdios para uma reunião em menos de três horas.




Continua...


Última edição por KristyAnne em Sex Jul 05, 2013 12:10 am, editado 3 vez(es)
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Re: Amnésia (NC/17)

Mensagem por KristyAnne em Qui Jul 04, 2013 11:59 pm

Estúdios CBS, LA – 26 de Agosto – 10:00 am

- Por onde esteve que não conseguimos localizá-lo? – dizia irritado Mike.
- Dormindo. Muita coisa na cabeça. – respondeu Alex.
- Na sala de reuniões em cinco minutos. – ordenou.
- Ok! Já estou indo.

Alex caminhou até a copa, tomou um cappuccino e foi à sala de reuniões. Mike era um dos co-produtores responsáveis pelo departamento de criações. Ele tinha algumas idéias para personagens que Alex se encaixaria bem. Alguns em séries que já estavam no ar, outros em séries que seriam renovadas para novas temporadas e uns poucos para novas séries.

As feições de Alex enquanto Mike falava sem pausa sobre seus projetos, eram de cansaço e desatenção. Após uma longa hora, Mike terminou e Alex suspirou aliviado por poder sair dali.

- Parece que nenhuma das minhas idéias lhe agradou! – falou ríspido a Alex.
- Não é isso. Só não estou em um bom dia. Quero voltar à ativa e quanto antes melhor. Preciso me distrair. – bocejou.
- Hum... problemas com mulheres. É a única explicação. Soube que você e Holly deram um tempo. Cuidado rapaz, ela é linda e está em ascensão. – brincou.
- Ela é maior de idade e sabe se cuidar. Obrigado pelo interesse. – Alex saiu rapidamente da sala de reuniões.

Alguns colegas de Alex saíram da sala logo atrás dele. Muitos rostos novos por ali aquele dia. Ele se lembrou de quando era um novato também. Dias difíceis, quando precisava se virar na construção civil para poder se manter. Hoje estava melhor, porém, era inevitável que ainda não se sentisse realizado.

Ele tirou o celular do bolso e discou. Assim que ouviu a voz de Sophia do outro lado, ficou sem saber o que dizer por trinta segundos. Por que afinal teria ligado para ela?

- Alô? Alex é você?
- Oi... oi Soph. Só liguei para saber se está bem. – gaguejou.
- Estou Alex. Queria me desculpar pelo meu comportamento de ontem. Bem... não era assim que pretendia me reaproximar de você. – declarou melancólica.
- O que é isso Soph. Não precisa se desculpar. Fiquei realmente feliz por tudo o que aconteceu. Gostaria de vê-la novamente, se você quiser, é claro.
- Claro que quero Alex! – a voz dela tomou um tom de animação.
- No meu apartamento. Farei o jantar. O que acha? – perguntou empolgado.
- Você cozinhando? Essa eu não posso perder! – comemorou.
- Eu e o jantar a esperamos as nove.
- Estarei lá!

‘Afinal, o que está fazendo Alex?’, pensou ao desligar o celular. Ele não tinha certeza se convidara Sophia para se distrair ou porque realmente queria a companhia dela. Ficou chateado com a primeira hipótese. Ele nunca se perdoaria caso a magoasse. Ela era importante para ele e sempre o apoiou em horas difíceis, principalmente durante as conturbadas horas de gravações de Moonlight.


Em algum lugar de Pasadena, CA – 26 de Agosto – 15:47 pm

Logo que saiu do apartamento de Verônica, sua cabeça doía muito. Passou em uma drogaria e comprou algumas aspirinas. Tudo o que a mulher lhe contou, apenas aumentou suas dúvidas.

Foi até o predinho de quatro andares, antigo e bem simples, que Verônica havia passado o endereço. Eric era o síndico e já aguardava Lucy quando ela chegou. Verônica era uma amiga das antigas e que o ajudou em momentos difíceis.

Assim que Eric lhe entregou as chaves do quartinho, ela retirou as aspirinas da embalagem, encheu um copo com água da torneira do banheiro e engoliu dois comprimidos de uma vez. Vinte minutos depois, jogou-se sob a cama, que rangeu com seu pouco peso. Logo fechou os olhos e se não fosse por um sonho ruim, talvez tivesse conseguido dormir até o dia seguinte.

Acordou atordoada, os flashes de memória vinham como raios em sua cabeça que voltara a doer, agora mais forte. Ela sentou na beirada da cama, com as mãos na nuca e os olhos fechados.

- Compreenda Lucyelle. Pensamos que estava morta. Paramos de procurá-la há algumas semanas.
- Verônica... Se você sabe de algo, por favor me diga. Não agüento mais vagar no escuro.
- Lucyelle... Sua vida é preciosa para nós. Estivemos perdidos sem você. Eles iriam escapar ilesos de tudo.
- Pára de enrolar e me diga o que quero ouvir!
- Você é uma agente do governo. Trabalha para uma organização especial, recrutada e treinada para trabalhos específicos. Em um dos casos, você acabou testemunhando o assassinato do Cônsul da Espanha e toda a família. Tivemos que trazê-la de volta de Londres e colocá-la no programa de proteção à testemunha. Mas você era a única que poderia nos ajudar em um caso de tráfico na UCLA e então, a infiltramos como aluna.
- Está me dizendo que sou uma espécie de policial?
- Muito melhor que um policial. Foi treinada para sobreviver.
- E me escondem de quem?
- Máfia Italiana. O Cônsul da Espanha se meteu nos assuntos deles e eles não gostam de estrangeiros dizendo o que devem fazer.
- Mas você acabou de dizer que eu estava em Londres.
- Você estava infiltrada na mansão dos Carpacciones, como namorada do primogênito. Sua missão era descobrir sobre a lavagem de dólares e alguns assassinatos que houveram por aqui quando alguns membros da família estavam nos EUA. Fugiu para Londres, assim que tudo aconteceu. Contatou-nos e mandamos James buscá-la.
- Ok! Mas e enquanto estive na UCLA?
- Você aproximou de Robert, ele era um dos nossos suspeitos do tráfico. A última mensagem que recebemos antes de desaparecer, você disse que ele não tinha nada haver com o caso e sim o irmão dele, Lawrence. Depois disso, só hoje que tive notícias suas. Leonel ficará surpreso e contente em saber que está viva!
- Leonel?
- Nosso chefe.
- Então devo supor que não existe família viajando pela Grécia...
- Família? Não Lucyelle, eles estão mortos!


As lembranças da sua conversa com Verônica misturavam-se com os momentos em que esteve com Robert. Ela via outro rosto entre os flashes, alguém muito parecido com Robert, um pouco mais velho e com olhar forte, maligno e sem nenhum sentimento.

‘Lawrence’, sussurrou para o quarto vazio e escuro. A madrugada caía forte do lado de fora. Ela levantou, foi até o banheiro e tomou mais duas aspirinas. Passou para a pequena cozinha, retirou um litro de leite e bebeu um pouco da própria caixa.

Nada fazia sentido. Quanto mais descobria sobre si e sua vida, mais parecia uma história de ficção tirada de um livro ou de algum filme de espionagem. A sonolência voltou, a dor diminuía. Lucy caminhou vagarosamente de volta a cama e, agora, conseguira dormir, acordando com batidas fortes na porta às dez horas da manhã.


Apart do Alex, West Hollywood - CA, 26 de Agosto, 08:43 pm

Alex estava atrasado. Apesar de saber cozinhar razoavelmente bem, não era seu forte. A cozinha definitivamente uma bagunça, o assado no forno cheirava bem e o restante da comida já estava pronto.

Ele arrumou rapidamente a mesa, tinha menos de 15 minutos para tomar um banho e colocar uma roupa descente. Naquele momento, vestia um jeans rasgado, uma camiseta velha, chinelas havaianas que ganhou da Holly em uma ocasião dessas que namorados normalmente têm. Mas, por causa de sua ‘destreza’ na cozinha, cada vez que mexia com algum condimento, limpava as mãos na camiseta.

No banheiro, tirou a camiseta e sentiu o cheiro de cebola nas mãos. Fez uma careta de repulsa, abriu uma gavetinha do armário e pegou um creme anti-séptico que prometia eliminar os odores de condimentos das mãos.

Jogou a roupa no chão e enfiou-se embaixo da ducha. Dez minutos depois já se encontrava no closet, completamente nu, vasculhando o que usar. Mal se vestiu e a vídeofone tocou. Correu até o visor e sorriu para a tela ao ver o lindo rosto de Sophia.

Dois minutos e ela estava diante da porta do apartamento dele. Bateu e Alex abriu animado. Ela ficou sem fôlego ao vê-lo. Ele estava ainda mais lindo do que de costume. Calça jeans levemente justas, camisa preta de mangas dobradas até os cotovelos, dois botões soltos insinuando o peitoral forte, os cabelos molhados e despenteados, com aquele sorriso encantador, que só Alex O’Loughlin possui.

- O... oi! – gaguejou ela.
- Oi Soph! – Alex deu um beijo no rosto dela, que corou.
- Eu trouxe vinho. Tinto! Espero ter acertado para acompanhar nosso jantar. – sorriu tímida.
- Perfeito! Entre. – ele segurou a garrafa de vinho, abrindo mais a porta para ela entrar.
- Uau! – ela o olhou surpresa com a mesa posta.
- Não sei fazer isso muito bem. – coçou a cabeça desajeitado.
- Imagine! Está lindo. – ela retirou o casaco e Alex a ajudou.
- Espero que esteja com fome. Eu estou faminto! Fazer o jantar e não poder beliscar nada é um sacrifício. – brincou enquanto guardava o casaco dela no armário do corredor ao lado da porta.

Alex voltou e segurou Sophia pela cintura, encarando-a intensamente. Ela corou novamente, abaixando a cabeça sem jeito e girando o corpo para se soltar. Caminhou até o balcão que separava a cozinha da sala de jantar.

- O que teremos para jantar?
- Carne assada, salada e algumas batatas. Nada sofisticado. – comentou meio sem graça, retirando a carne do forno.
- Perfeito para mim.
- Bem... é minha especialidade! – sorriu divertido enquanto ajeitava o assado no centro da mesa.
- Humm... parece que passou um furacão por aqui. – brincou olhando para a bagunça na cozinha.
- Ah! Desculpe por isso... me atrasei todo e não tive tempo de arrumar.
- Sem problemas. Podemos dar conta de tudo isso juntos, após o jantar.
- De jeito nenhum! Você é minha convidada. – ele puxou a cadeira para que ela se sentasse.

Jantaram e conversaram amistosamente. Após tomarem toda a garrafa de vinho e Sophia finalmente se sentia mais confortável na presença de Alex.

- Então... o que têm feito desde que nos vimos pela última vez? – perguntou ela.
- Soph, nos vimos ontem! – lembrou, olhando-a maroto.
- Que seja. Em um dia dá para fazer muita coisa. – ela engoliu o último gole do vinho em seu copo.
- Estive em reunião com o pessoal da criação. Nada me agradou ainda. – ele balançou a cabeça frustrado.
- Bem, pelo menos você tem um contrato. Eu ainda não tenho nada novo. – falou melancólica.
- Não se preocupe, logo aparece algum filme com um ótimo roteiro. Aquele último que você fez. É de ficção não é?
- Outlander? Ah sim. Dia 30 será o coquetel de encerramento. Terminamos as filmagens semana passada. Luke quer que o filme seja lançado em Janeiro de 2009. Está muito ansioso assim como nós. Jim me convidou para fazer-lhe companhia, já que sua esposa viajou. Mas me sentiria mais confortável se você fosse comigo. – ela o olhou esperançosa.
- Jim... – ele fez uma careta tentando lembrar quem era o ator que contracenava com ela.
- Caviezel? Lembra? Paixão de Cristo... O Conde de Monte Cristo... Alta Frequência... – ela gesticulava com a taça de vinho vazia em sua mão.
- Ok! Já me lembrei, não precisa ser tão detalhista. – sorriu torto, terminando seu vinho e tirando a taça da mão dela.
- Então? Não me respondeu. – ela o encarou.
- Festa de confraternização do pessoal do seu filme, hã?! Será um prazer acompanhá-la. – ele pegou a mão dela, apertando-a de leve com o polegar.

Um minuto inteiro de silêncio. Ambos olhavam-se intensamente. Alex apertou ainda mais a mão de Sophia, puxando-a para perto dele por cima da mesa. As faces iam se aproximando devagar, a respiração de ambos descompassadas, os olhares fixos um no outro e os lábios a poucos centímetros.

- Não devíamos fazer isso. – balbuciou ela.
- Não. Não devíamos. – concordou ele.

Ele tocou o rosto dela, e Sophia estremeceu com o toque quente daquelas mãos enormes. Fechou os olhos e Alex a beijou com desejo, pressionando sua boca contra a dela, enfiando a língua gulosa a procura da dela.

Sophia ficou sem ar, interrompeu o beijo tentando respirar. O encarou confusa, ele olhava para os lábios dela, o batom rosado borrado e sentiu-se impaciente para tê-la em seus braços quando a viu morder o lábio inferior.

Ele investiu novamente, intensificando o beijo, fazendo-a ficar completamente entregue. Alex levantou-se, puxando-a com ele, segurando-a pela cintura e os lábios grudados nos dela. Conduziu-a até o sofá que ficava próximo a mesa e a deitou carinhosamente, comprimindo seu corpo sobre o dela. Em último caso, a levaria para o quarto.

A química que existia entre seus personagens Mick e Beth estava nítida entre seus intérpretes. Apesar de Alex e Sophia sempre negarem, e ele mesmo já havia dito que a química era dos personagens e não deles, ali, naquele momento, essa teoria acabara de cair.

Sophia tinha as mãos entre os cabelos dele, desceu-as pelas costas masculina, até chegar à cintura, puxou a camisa livrando o tecido de dentro da calça, deslizando suas mãos por baixo, sentindo o corpo quente dele.

Alex ergueu um pouco o corpo e começou a desabotoar a camisete que Sophia usava. O sutiã rosa-bebê todo bordado apareceu insinuando os seios fartos. Ela passou as mãos das costas para o peito dele, desabotoou a camisa e apertou o peito másculo assim que o viu.

Ele levou os lábios entre os seios dela, roçando devagar a ponta da língua, deliciado com os tremores que sentia vir do corpo de Sophia. Levou uma das mãos, e puxou delicadamente a alça do sutiã, beijando suavemente o ombro feminino, descendo até aproximar-se do seio quase à mostra.

Ela gemeu baixo e mordeu os lábios. Balbuciou quase inaudível um ‘Oh meu Deus!’, fazendo Alex sorrir. Mas, assim que ele puxou o sutiã, visualizando o seio esquerdo em todo seu esplendor, abaixou a cabeça mal intencionado, na tentativa de beijá-lo e mordiscá-lo, o vídeo fone tocou, fazendo com que ambos pulassem no sofá de susto.

- Está esperando alguém? – perguntou ela o encarando constrangida.
- Não mesmo! – respondeu erguendo o corpo aborrecido por serem interrompidos.

Sophia sentou-se no sofá, recompondo-se enquanto Alex foi até o monitor. Viu uma pessoa de costas, apertou o botão e perguntou quem era.

- Sr. O’Loughlin? – perguntou o rapaz.
- Sim?
- É Holly Valance. Ela me pediu para levá-lo, precisa vê-lo.
- Não tenho nada para tratar com ela. – falou ríspido.
- Senhor, sou o segurança dela e ela me pediu para não voltar sem você. Então, por favor me acompanhe. – insistiu.
- O que ela quer de mim? – perguntou irritado.
- Não me adiantou o assunto. Mas garanto que é urgente. Ela está no hospital de Santa Mônica.
- Hospital? O que aconteceu? – agora ele ficou preocupado.
- Apenas me acompanhe e ela dirá pessoalmente.
- Já estou descendo.

Ele olhou para Sophia sentada no sofá. Coçou a cabeça preocupado, parou diante dela com as mãos na cintura e a encarou triste.

- Tudo bem Alex! Ela precisa de você. – Sophia levantou-se e pegou sua bolsa na mesinha de centro.
- Soph me perdoe! Mas parece urgente e ela não tem mais ninguém aqui em LA. – ele segurou o braço dela puxando-a para perto dele.
- Está tudo bem. Preciso mesmo ir. Depois nos falamos. – ela o beijou de leve no rosto e saiu sem olhar para trás.


Em algum lugar de Pasadena, CA – 27 de Agosto – 10:07 am

Lucy acordou com batidas fortes na porta. Ninguém além de Verônica sabia que ela estava ali. Então, pegou a semi-automática que Verônica lhe dera, e que deixara sobre a mesinha de cabeceira, caminhou furtivamente, pé por pé, e encostou-se à parede ao lado da porta.

- Lucy, abra, sou eu Verônica! – sussurrou a voz familiar.
- Quer me matar de susto! – disse Lucy ao abrir a porta, ainda receosa.
- Desculpe, mas é urgente. – entrou sem cerimônia.
- Fala logo que estou com dor de cabeça. – soltou um suspiro preguiçoso e bocejou.
- Robert está sondando seu amigo Alex.
- O quê? Mas como ele sabe sobre o Alex? – arregalou os olhos.
- Você foi muito discreta ao aparecer na festa de aniversário dele, não acha? – Verônica jogou algumas revistas de fofocas em cima de Lucy que pegou uma no ar antes das outras caírem ao chão.
- Essa não! – folheou apreensiva as páginas.
- Robert não chegou perto do seu amigo, ainda! Ele deve estar esperando que Alex o leve a você. Dei o endereço do café ao seu amigo, isso antes de saber do Robert.
- Verônica, por que fez isso? Pedi para deixar o Alex longe dos meus problemas. – comentou triste, sentando na cama.
- Ele foi insistente. E gosta de você. Não pude deixar ‘para lá’. – esboçou um sorrisinho.
- O que farei agora? Tentou falar com o Alex, impedi-lo de ir ao café? Eu tenho que estar lá, é o único dia que terei para encontrar o informante. – balançou a cabeça.
- Lucy, estive no edifício do seu amigo assim que soube do Robert. Mas o porteiro falou que ele havia saído às pressas, juntamente com um homem grande. Não soube informar para onde e não consegui nada com meus colegas. É como se seu Alex tivesse evaporado no ar.
- Essa não! Será que Robert o pegou? – Lucy levantou nervosa.
- Não acredito nisso. Robert está sob vigilância. Se Alex estivesse com ele, saberíamos. – Verônica acalmou Lucy.
- Se você não sabe onde ele está e ele não sabe que Robert o está seguindo... então... Alex irá aparecer no café! Tenho que encontrar um meio de protegê-lo. – ela coçava a cabeça pensativa.
- Sei que vai conseguir. Você sempre foi a melhor de nós! Cuide-se garota! – Verônica acenou para Lucy e saiu.


Santa Monica, CA – 27 de Agosto, 08:00 am

Alex chegou ao hospital por volta das 2h da manhã. Holly estava sedada, dormia tranqüila em um leito particular. Ele sentou-se na poltrona ao lado da cama e acabou dormindo. Sonhou com o dia em que Lucy esbarrou nele na calçada, o atropelamento, a semana em que se dividiu entre sua vida e a então desconhecida em coma no hospital.

Suas lembranças pularam para a noite de amor que passou com Lucy e depois voltou para o dia em que Holly o havia esbofeteado na face. Novamente, seus sonhos trouxeram a linda Lucy em seus braços e de repente ela não era mais Lucy e sim Sophia.

No sonho, Alex assustou-se ao beijar Lucy e quando abriu os olhos viu Sophia. Mas algo dentro dele sentiu certo alívio e ele beijou Sophia com paixão. Estavam fazendo amor quando ele acordou com a enfermeira entrando no quarto.

Alex passou as mãos no rosto para acordar. Olhou em direção a cama e viu Holly meio acordada. Levantou e ficou ao lado dela. Holly virou o rosto e sorriu suavemente quando o reconheceu.

- Que bom que veio. – sussurrou.
- Não podia deixá-la sozinha. – segurou a mão dela.
- É importante para mim que esteja aqui. – o olhou sonolenta.
- O que aconteceu? – passou os dedos delicadamente no queixo dela.
- Eu... e... – ela adormeceu novamente por causa dos sedativos.

- Ela perdeu o bebê. – comentou a enfermeira.
- Bebê? – Alex ficou surpreso.
- Sim. Estava de três meses. Você era o pai? – ela recolheu as seringas e o tubo de soro vazio que acabara de trocar, colocando-os dentro de uma espécie de bandeja.
- Ela não me contou sobre isso. – ele olhou para Holly com tristeza.
- Ah! Desculpe-me. – a enfermeira saiu deixando Alex ao lado da cama de Holly.




Continua...
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Re: Amnésia (NC/17)

Mensagem por KristyAnne em Sex Jul 05, 2013 12:50 am

CAPÍTULO 5 - SURPRESAS


Santa Monica, CA – 28 de Agosto, 03:00 pm

- Como ela está? – perguntou Sophia a porta do quarto de Holly.
- Oi. Ela está melhor. – Alex levantou da poltrona e foi de encontro com Sophia.
- O que aconteceu? – Sophia olhava para Holly adormecida por sobre o ombro de Alex.
- Venha. Vamos tomar um café e conversamos. – ele a segurou suavemente pelo braço e a conduziu até o restaurante do hospital.

- Como soube que eu estava aqui? Não me lembro de ter tido tempo de lhe contar. – ele puxou a cadeira para que ela sentasse.
- Eu liguei para sua agente. Não conseguia falar contigo. Ela me contou onde estava. – Sophia deu um meio sorriso.
- Ah! Falei com ela ontem, pedi para desmarcar meus compromissos pelo resto da semana. Quando eu retornar, Mike terá um ataque. – ele gesticulou para a garçonete pedindo um café.
- Você ainda não me contou o que aconteceu? – ela o olhou de lado.
- Bem... não consegui conversar com Holly ainda. Ela está sob efeito dos analgésicos e sempre sonolenta o pouco tempo que acorda. Só diz o quanto está feliz que eu esteja aqui. – ele encarou Sophia triste. – Ela sofreu um aborto.
- O quê? – Sophia arregalou os olhos assustada.
- Foi a única coisa que o médico me disse. Não sei em que circunstâncias, só que estava de três meses. O Dr. Fordman apenas me adiantou que ela está estável e deve ter alta em dois dias. Estou aguardando para poder conversar melhor com ela.
- Desculpe a pergunta indiscreta, mas quando foi a última vez que você e Holly... hummm... você sabe... – Sophia corou tentando terminar a pergunta.
- No dia da festa que o Jason deu para comemoramos nossos contratos. Quase um mês atrás. E sim Sophia. É bem provável que eu fosse o pai. – abaixou a cabeça melancólico.
- Oh Alex! Sinto muito! – ela segurou a mão dele.
- Eu também. Apesar de não saber sobre a gravidez, eu adoro crianças. – ele apertou a mão de Sophia entre as suas.
- Tenho certeza que você seria um ótimo pai. – ela tentou consolá-lo.
- Bem... eu iria tentar ser um pai mais presente, já que não o sou com Saxon. – ele a encarou novamente, ainda com a expressão triste.
- Não vou dizer que sei o que esteja sentindo. Porque não sei. Mas quero que saiba que estou aqui para o que você precisar. – ela deu um meio sorriso e Alex olhou para suas mãos entrelaçadas e começou a acariciar as costas da mão de Sophia com o polegar.
- Eu sei. Por isso você é tão especial para mim. – confessou ainda com o olhar fixo nas mãos entrelaçadas.


West Hollywood, CA – 30 de Agosto, 11:00 am

- Realmente não quero dar mais trabalho Alex! Posso ficar com Loren.
- Enquanto você estiver de repouso por ordens médicas, é aqui que irá ficar. – falou decidido enquanto ajudava Holly a deitar-se na cama.
- Então me deixe ficar no quarto de hospedes? – pediu em uma voz falha.
- De jeito nenhum! Meu quarto é mais claro e arejado. Ficará aqui. Eu durmo no outro. – ele foi até o closet e retirou um cobertor de uma das prateleiras, voltou e a cobriu.
- Obrigada por estar comigo nesse momento. – ela o encarou e Alex sentiu sinceridade naquele olhar doce.
- Não podia deixá-la sozinha. Ainda mais que tenho minha parte nisso. – ele desviou o olhar e sentou-se na cama de costas para Holly.
- Desculpe não ter contato. Mas eu realmente soube duas semanas atrás e você não atendia mais meus telefonemas e eu estava pensando em...
- Em quê? – ele girou o pescoço para encará-la. – Aborto? É isso que você foi fazer? Não deu certo não é? Por isso foi parar naquele hospital com hemorragia? Como pôde?
- Pára Alex! – implorou chorosa. – Você não queria mais nada comigo e eu não ia conseguir sozinha.
- E você pensou que eu não iria assumir um filho meu? Realmente você me conhece pouco Holly! – ele abaixou o tom de voz, balançou a cabeça chateado e foi se retirando do quarto.
- Me perdoe! Por favor Alex! – a voz ressentida dela o fez para na soleira da porta.
- Preciso refletir sobre tudo isso. – suspirou de costas para ela e virou um pouco a cabeça para olhá-la de canto de olho. – A geladeira está abastecida, meu novo número de celular anotado na mesinha da sala. Pedi para Loren vir ficar contigo até eu voltar. Tenho alguns compromissos que não posso mais adiar.
- Alex! Por favor! – insistiu aos soluços.
- Quando eu voltar Holly. Aí conversamos. Ok? – ele saiu do quarto, passou pela sala, pegou suas luvas e chaves.

Esperou por Loren do lado de fora do prédio, sentado em sua moto, abraçado com o capacete. A moça chegou e ele lhe deu algumas recomendações que o médico havia passado. Comunicou que retornaria a noite. Loren fez sinal de entendido com a cabeça e se despediu dele.

Quarenta minutos depois, Alex estacionava a moto no pátio da CBS. Deixou o capacete e luvas no seu armário na sala do figurino. Chegou à sala de reuniões e sentou-se. Ficou ali sozinho por alguns minutos até Mike entrar carrancudo.

- Desta vez limpei sua barra com a Nina. Da próxima não sei se vou poder. Está me devendo essa. – jogou um script sobre a mesa.
- Obrigado Mike. Pago quando puder. – Alex sorriu desanimado pegando o script.
- Boas novas. Você foi aceito para os testes do personagem. Vê se não me desaponte. – Mike deu um soco de leve no ombro de Alex.
- Ah! Isso é ótimo! Estou mesmo precisando trabalhar. Não agüento mais toda essa burocracia.
- Seguinte Alex. A Nina achou uma boa escolha, a princípio, mas você sabe como as coisas funcionam. E, por favor, não divulgue nada. Porque não é garantido ainda. Boato acerca de sua possível participação especial nessa série iria irritá-la e você conhece bem a ‘fera’. – comentou Mike em tom de brincadeira.
- Ok! Entendido chefe! – Alex devolveu o tom brincalhão.
- Dê uma lida para poder se familiarizar com o bad boy aí. Semana que vem começamos os testes. E vê se faz seu melhor, há muitos atores jovens querendo o personagem. – Mike saiu da sala deixando Alex novamente sozinho.

Alex ficou ali na sala de reuniões por algumas horas. Lendo e tentando entender o personagem. Ele adorava papéis complexos e fazer novamente um serial killer era do que ele precisava. Fechou o script e fitou o nome da série na capa ‘Criminal Minds’.

Esboçou um sorriso tímido e verificou as horas no relógio de pulso. Quase duas da tarde. Ele precisava correr se quisesse chegar a Pasadena a tempo de encontrar Lucy.


The Coffe Gallery, Pasadena, CA – 30 de Agosto, 04:00 pm

Alex chegou ao café. O lugar era calmo e havia poucos clientes naquele horário. Ele entrou procurando Lucy em cada rosto feminino que lá tomavam seu lanche. Sentou-se em uma mesa no canto, ao lado da janela larga que dava vista para a calçada da frente do café.

- O que vai ser Senhor? – perguntou educada a moça magra.
- Café puro, por favor. – fez o pedido sem prestar muita atenção na moça, já que olhava o tempo todo para a entrada.

Quarenta minutos foi o tempo que ele esperou. Já estava ansioso e morrendo de vontade de fumar um charuto. Pensou que Verônica havia lhe dado o endereço errado ou trocado o horário de propósito.

- Desculpe senhor. Mas está esperando alguém? – a moça magra interrompeu os pensamentos dele e ele a encarou.
- Acho que ela não vem mais. Poderia trazer a conta. – sorriu nervoso.
- Essa garota não é esperta. São $7,25.
- O que disse?
- São $7,25.
- Não, essa parte eu entendi. – ele tirou a carteira do bolso e entregou uma nota de $10 para a garçonete.
- A garota que lhe deu o bolo. Ela não é esperta. Se eu tivesse um homem bonito assim como você, me esperando em um café, eu chegaria antes dele. – ela sorriu tímida com o comentário que acabara de fazer.
- Ah! Ela não sabe que estou esperando por ela. – ele sorriu divertido com a timidez da moça.
- Desculpe. Normalmente não faço isso. Ainda mais com clientes, mas é difícil não percebê-lo. – ela pegou a nota da mão dele.
- Fique com o troco. E obrigado pelo elogio. – ele piscou deixando a moça ainda mais constrangida.

Alex levantou-se, girou o corpo para trás para pegar sua jaqueta de couro preta. Vestiu-a e resolveu ir até o banheiro lavar o rosto. Quando voltou, parou no balcão e pediu a garçonete uma goma de mascar. Sempre que não havia jeito de fumar seu charuto ele apelava para a goma de mascar.

A moça puxou conversa. Tentando ganhar o número do telefone dele. Com a distração, Alex não percebeu que Lucy sentara em uma das mesas, localizada na frente do café, bem ao lado da calçada. Um rapaz já a esperava quando ela chegou.

- Está atrasada! – resmungou o rapaz.
- Não podemos ficar aqui. Vamos para outro lugar. – pediu.
- Não saio daqui até você me dizer que está tudo certo.
- Ouça. Houve complicações e não posso garantir sua segurança. Vamos embora agora! – insistiu.
- Você não me dá ordens. Sou eu quem tem as informações que você quer. Não o contrário. Não venha agora dar uma de durona. – ele estreitou o olhar para Lucy.
- Luke, por favor! – ela segurou a mão dele, olhando-o implorativa.
- Isso não funciona mais comigo garota! – ele ergueu o tom de voz e puxou a mão de forma violenta.

Por causa das vozes exaltadas, todos dentro do café, inclusive Alex olharam para fora. Ele não viu que Lucy estava sentada naquela mesa. A janela só permitia a visão de Luke. Mas ele ficou curioso em saber o que estaria acontecendo e inclinou o corpo para conseguir enxergar o outro lado da mesa. Não conseguindo ver muita coisa, apenas as mãos dela.

- Droga Luke! Está chamando atenção. Vamos embora. Conversamos em outro lugar. – pediu novamente, tentando normalizar o tom de voz.
- Não! Sabe o que mais? Não direi mais nada a você. – ele ficou de pé, jogou o valor da conta na mesa e se afastou, olhando para os lados e colocando seus óculos escuros.
- Luke! – Lucy gritou, ficando de pé diante da entrada do café.

Imediatamente, Alex reconheceu a voz e voltou o olhar para a porta do café. Lá estava ela, de lado, com o vento batendo em seu rosto, fazendo o cabelo balançar. As mechas, antes cor de mel, agora tinham um tom dourado, ainda mais iluminado com a claridade suave daquela tarde.

Ela colocou os óculos escuros. Girou o corpo olhando para os lados, tentando organizar as ideias. Ela sentiu uma mão envolver seu braço direito e a puxar delicadamente. Deixou-se levar e no giro que seu corpo deu, ela ficou presa em um abraço delicado e reconfortante. Lucy ergueu o olhar e fitou o azul profundo dos olhos de Alex.

- Até que enfim a encontrei! – exclamou entre suspiros.
- É. Parece que sim. – ela ofegou por estar tão junto dele.
- Me deixou preocupado mocinha. – ele a apertou ainda mais entre seus braços, levando a mão direita nos cabelos dela.
- Eu mudei a cor. – falou em uma voz fraca.
- Está linda. – ele firmou o abraço, a segurou pela nuca e a beijou.

Lucy se perdeu naquele beijo e todas suas preocupações se esvaíram. Alex sabia dominá-la como ninguém. Mas aquele momento cálido e reconfortante foi interrompido por um estampido e, logo, pessoas gritavam e corriam por todo lugar.

- O que foi isso? – perguntou confuso.
- Pareceu um tiro. – concluiu ela.

Lucy olhou para os lados e distinguiu Robert do outro lado da rua. Ele erguia uma arma calibre .38 e começou a atravessar a rua. Tinha os olhos molhados, raiva e frustração o guiavam. Ela girou o corpo, jogando Alex no chão ao mesmo tempo que retirava a semi-automática presa ao cinto em suas costas, escondida embaixo da camisete rosa bebê que vestia.

Ela apontou a arma para Robert e atirou. Não para matá-lo, apenas para pará-lo. A bala atingiu o ombro esquerdo de Robert. Ele caiu perto do meio fio, já bem próximo de Lucy e Alex.

- Levanta Alex! Vamos! – ela gritou, puxando Alex pelo braço.

Robert ficou de joelhos, apalpou o ferimento com a mão que segurava a arma. Soltou um grito grave, histérico, ficando de pé novamente. Ele atirou sem mira, acertando Alex nas costas.

- NÃÃÃÃOOO!!! – gritou ela.

Alex caiu na calçada, batendo o rosto no chão. Lucy se jogou ao lado dele, puxando-o pelo braço e apoiando sua cabeça.

- Vai ficar tudo bem! – dizia enquanto rasgava uma das mangas de sua camisete e a embolava, levando o tecido nas costas dele, pressionando.
- Não foi assim que eu tinha planejado. – murmurou Alex, tossindo sangue.

Movida por raiva e adrenalina, Lucy girou o corpo, ainda agachada ao lado de Alex, mirou em Robert que já estava mais próximo e atirou, desejando imensamente tê-lo matado.


Em algum lugar de Pasadena, CA – 05 de Setembro de 2008

- Absolutamente! Está louca? – sussurrava Verônica.
- Preciso levá-lo ao hospital. A bala atravessou o ombro, por pouco não perfura um órgão vital. Consegui estancar o sangue, mas a ferida está infeccionando. Ele tem febre alta, delirando. Não posso mantê-lo aqui. – Lucy olhava preocupada para ele deitado na cama.
- Se levá-lo ao hospital terá que ficar responsável, ele levou um tiro, a polícia local será chamada. Você está sob proteção, lembra? Não pode se expor. – insistia Verônica.
- Já estou exposta! E não vou deixá-lo morrer por causa das minhas trapalhadas. Tenho um plano. – deu de ombros, indo até a cama onde Alex agitava-se em seus delírios.

- Não... Lucy... meu filho... me perdoe Sophia... – gemia ele, sem nenhum sentido que Lucy ou Verônica pudessem pensar.

- Ele estar aqui, nesse estado é responsabilidade minha! – ela sentou-se na cama, colocando a cabeça dele em seu colo.
- Droga Lucy! – reclamou a amiga, vestindo sua jaqueta jeans escura e ajeitando a arma na cintura.


Hollywood Community Hospital, LA, CA – 10 de Setembro de 2008

- Oi. – sorriu Holly ao ver olhos azuis de Alex se abrirem vagarosamente.
- Oi. – falou em uma voz rouca quando finalmente a imagem dela tornou-se nítida e ele a reconheceu. – O que aconteceu?
- Você foi assaltado. Levou um tiro e está no hospital. – ela tocou o rosto dele carinhosamente.
- Que dia é hoje? Quanto tempo estou aqui? – perguntou preocupado, erguendo o corpo.
- Hey! Calma! Não pode se levantar. Tem cinco dias que está aqui. Quando você não voltou para casa dez dias atrás, eu liguei para todos que poderiam saber de você. Ninguém o havia visto depois do almoço, liguei para a polícia, mas me disseram que só poderiam lhe dar como desaparecido após vinte e quatro horas. Então, cinco dias atrás você deu entrada aqui e eu ainda estou como seu contato para emergências. Graças a Deus, não levaram seus documentos, apenas cartão de crédito, cheque, dinheiro e seu relógio, senão não o teriam identificado e estaria como indigente.
- Como cheguei aqui? Eu... – ele olhou para o pulso, encarando a marca do relógio. As cenas em sua cabeça começavam a desenrolar-se. Ele se lembrou de ter sentido uma dor imensa nas costas na altura do ombro; de Lucy debruçada em cima dele gritando ‘Vai ficar tudo bem!’; de vê-la erguer a arma e atirar; de ser meio que arrastado para algum lugar; de ver Lucy em flashes, chorando, com as mãos sujas de sangue, gritando com alguém ao telefone. – Onde ela está?
- Quem?
- Lucyelle! Foi ela quem me salvou! – Alex agitou-se querendo levantar, mas sentiu uma dor aguda no ombro e soltou um gemido abafado.
- Deixe de teimosia Alex! Tem que repousar. – Holly o segurou pelo braço e o forçou a deitar-se novamente.
- Preciso saber se ela está bem!
- Alex, você teve febre alta, chegou aqui delirando. A polícia recebeu uma ligação anônima de alguém que o viu jogado em um beco na Hollywood Blv. (rua famosa por sua rede de prostituição) Seria o último lugar que eu pensaria em procurar por você. – ela o olhou ressentida.
- Ah! Agora está achando que eu fui procurar ‘companhia’? Não sou esse tipo de homem e você deveria saber. – disse rispidamente.
- Desculpe! Só achei estranho. – ela tocou a mão dele. Alex olhou para as mãos de Holly e suspirou.
- Depois que tudo melhorar, que eu melhorar, temos que resolver nossa situação.
- Claro Alex. – ela aproximou-se dele, dando-lhe um beijo leve nos lábios. Alex ficou imóvel, apenas a encarou quando o rosto dela afastou-se do dele. – É tudo que quero.

- Ah! Desculpem. Volto outra hora. – falou Sophia ao ver a cena.
- Sophia? N-não está interrompendo nada de importante! Entre! – ele sorriu e Holly fez uma careta de desgosto.
- Oi Sophia. Vou buscar um café, quer alguma coisa da cantina Alex?
- Não Holly. Obrigado. – ele não a olhou, estava com os olhos vidrados em Sophia.

- Eu queria muito saber o que está acontecendo com você! Será que aquele teste para James Bond subiu a cabeça e agora você acha que é um agente secreto? – brincou ela, aproximando-se da cama.
- Nossa! É maravilhoso vê-la Soph! – ele esboçou uma gargalhada, mas conteve-se quando a dor do ferimento fez-se sentir novamente.
- É tão ruim assim?
- Nem tanto! – ele esticou o braço bom e segurou firme as mãos dela. – Temos que resolver um assunto. Aquela noite, bem...
- O beijo e tudo que quase aconteceu?
- É... eu... – ele a fitou preocupado sem saber o que dizer realmente.
- Foi um erro. Ambos estamos passando por problemas e nos deixamos levar. – ela sorriu tímida, desviando o olhar do rosto dele para o chão, lhe doía mentir para ele.
- É. Tem razão. Foi um erro que podemos corrigir. – suspirou triste, não era isso que queria ouvir dela.
- Estou voltando para Londres, Alex. Vou passar alguns meses por lá.
- É. Talvez seja melhor ficarmos longe por um tempo. – ele soltou as mãos dela.
- Alex? Quero que saiba que tudo que eu disse a você é verdade. Embora não seja a hora certa para isso. Você e Holly têm muito que resolver. Eu também tenho assuntos pendentes. Se... – ele a interrompeu.
- Se for para algo acontecer entre nós, será no momento certo. É isso que está dizendo? – ele a encarou sério.
- Podemos dizer que seja isso sim. – ela tocou o rosto dele. – Até Alex! Se cuide.
- Não demore. Você é meu porto seguro. – ele segurou a mão dela que deslizava por seu rosto e beijou a palma com carinho. – Sem você por perto, estou perdido.
- Ah Alex! Sinto muito! – ela o abraçou.
- Eu também Soph. Eu também.




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Re: Amnésia (NC/17)

Mensagem por KristyAnne em Sex Jul 05, 2013 1:16 am

Em algum lugar de Pasadena, CA – 11 de Setembro de 2008

- Tem certeza que é isso que quer? – perguntou Verônica.
- Absoluta! Quando atirei em Robert eu me lembrei de quem Lawrence realmente é. Ele é ruim Verônica e quando souber da morte de Robert, irá procurar quem o matou. Tenho que ficar longe, até que eu consiga por minha cabeça no lugar. – Lucy terminou de enfiar as poucas roupas na mochila, jogando-a nas costas.
- Mas se você não encontrar o que está buscando?
- Tenho que encontrar! Vou lembrar quem sou! É uma promessa! – ela bateu a porta atrás de si.

Na rua, chamou um táxi e foi para o aeroporto. Com um passaporte falso, embarcou para a Itália.


Apart de Alex – West Hollywood, LA, CA – 12 de Setembro de 2008

- Agora que está melhor, vou embora. – disse Holly que acompanhou Alex até em casa.
- Você precisou de mim e eu acabei baleado e lhe dando trabalho. – disse chateado.
- Que isso Alex! Eu estava bem, só um pouco cansada. Além do mais, Loren ficou comigo quase todo o tempo que você esteve fora.
- Ela é uma boa amiga. – ele se arrastou para o quarto e Holly o acompanhou, parando na porta.
- É bom estar de volta. – Alex deixou-se cair na cama.
- É bom tê-lo de volta. – ela disse baixinho e ele a encarou.
- O que disse?
- Nada importante. Vou indo. Se precisar de algo, estou na CBS. Recebi uma ligação enquanto almoçava, me convidaram para fazer uma série. Valentine ou algo assim. Acho que é só uma ponta, não tenho certeza até ir lá ver o que é exatamente.
- Que maravilha Holly! Fico feliz por você.
- É. Bem, tenho que ir. – ela deu as costas, caminhando para a saída do apartamento.
- Holly? – chamou em voz alta, levantando e indo de encontro dela na sala.
- O que foi Alex?
- Obrigado por ficar do meu lado esses dias. Foi importante para que eu decidisse algumas coisas. – ele sorriu, tocando o ombro dela.
- Você teria feito o mesmo por mim. – falou indecisa.
- Claro que sim. – ele a beijou no rosto. – Volte quando quiser. – ele viu os olhos dela brilharem de alegria pouco antes de Holly ir embora.


Estúdios CBS - West Hollywood, LA, CA – Novembro de 2008

- Não! Não é isso que quero! – resmungava Alex.
- Mas o personagem é isso Alex. Não podemos mudar só porque você não o acha legal. – comentava Suellen.
- Estou estudando o personagem há algumas semanas. Tenho certeza que do modo em que pretendo fazê-lo, será mais próximo do que vocês querem. Não é nada contra você Sue, sei que está cumprindo ordens. – ele jogou o script sobre a mesa nitidamente irritado.
- Alex, o produtor quer um personagem ambíguo. Você me entende?
- Mas não é assim que eu o vejo! Droga Sue! – ele se levantou, passando as mãos nos cabelos curtíssimos.
- Falo com ele. Mas não prometo nada! – ela pegou o script e saiu da sala chateada.

Alex tirou o celular do bolso, ficou olhando para o visor por alguns segundos, indeciso e resolveu jogá-lo na mesa. O celular fez um barulho estridente quando bateu na madeira e logo depois começou a vibrar. Ele parou e fitou o aparelho que deslizava pela mesa à medida que vibrava. Quando resolveu atender, Sophia já tinha desligado.


Em algum lugar de Londres, UK – Novembro de 2008

- E aí? – perguntou Mary.
- Não atendeu. Acho que ele não quer falar comigo. – suspirou Sophia.
- Eu sei que você não gostou de saber que ele voltou com a namorada. Mas vocês nunca tiveram nada e, até onde sei, iam cometer um grande erro caso se envolvessem.
- Você tem razão. Acho que me deixei levar pelo momento. Ambos estávamos sozinhos e confusos. Não vou mais ligar para ele. Está decidido!
- Essa é minha garota! – comemorou a amiga, abraçando Sophia. – Sabe quem encontrei ontem? Michael! Ele perguntou por você.
- Ele está em Londres?
- Estava. Ele vai se apresentar essa semana na Espanha, na França e na Itália. Disse-me que é fim de turnê e que pretende voltar, quer descansar aqui em Londres. Ah! Falou que está com saudades. – Mary fez uma careta engraçada, fazendo Sophia sorrir.
- Deixa disso Mary. Somos apenas amigos. – falou convicta.
- Mas ele gosta de você. Dê uma chance para ele.
- Não sei Mary. Não sei.


Beverly Hills, LA, CA – 05 de Dezembro de 2008

Alex saiu da CBS, pegou sua moto e dirigiu até parar em frente a um café em Beverly Hills. Sentou-se e pediu um cappuccino. As coisas na CBS não corriam bem. Eles não concordavam com o que ele queria para o personagem que faria uma participação especial em Criminal Minds. Também não chegaram a um consenso sobre os manuscritos que ele rascunhou e apresentou a Nina e a alguns produtores.

- Alex O’Loughlin? – perguntou a morena alta.
- Sim. – ele ergueu a cabeça em direção a ela.
- Nossa! É você mesmo? Será que posso tirar uma foto com você? – pediu em um misto de empolgação e seriedade.
- Claro! – ele se levantou, a moça pediu para o garçom tirar a foto. – Obrigada! – agradeceu dando um beijo no rosto de Alex.

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Ele sorriu simpático. Mas não estava nada feliz. Sua vida não estava como queria. Precisava dar um tempo de tudo. Nesse momento, decidiu passar o fim do ano na Austrália.

A última entrevista que deu, foi no dia 10 de dezembro, para o site Alex-o.net, por celular. Ele tentou passar otimismo e, não foi assim tão difícil, já que a ligação não era boa e as perguntas não foram tão complicadas de se responder.

No dia 20 de dezembro, embarcou para a Austrália, levando Holly com ele.


Sidney, NSW, Austrália – 31 de Dezembro de 2008

Véspera de ano novo. Alex se arrumava para irem a festa que ele organizara para amigos e familiares. Holly estava no banho.

- Apresse-se querida ou vamos nos atrasar. – falou alto a porta do banheiro, para ser ouvido através do barulho do chuveiro.
- Logo estarei pronta. – respondeu animada.

Não se atrasaram muito. Apenas trinta minutos do horário marcado. Não havia muitos convidados, apenas familiares de Alex e poucos amigos de Holly. A família dela não apreciava seu relacionamento com Alex, embora ele mesmo, não soubesse o motivo. Ele nunca fizera nada que pudesse causar má impressão à família dela.

Os fogos estouravam. A vista do salão do hotel que Alex escolhera para a reunião dava para a Habour Bridge. Rolhas de champagne voaram por todo o lado. Ergueram as taças, beberam e todos se abraçaram desejando um ótimo ano novo.

Holly se afastara dele, conversava com uma amiga. Alex foi até a área aberta, inclinou-se sobre o parapeito, olhando fixamente para a vista a sua frente. Os fogos ainda estourando. Ele suspirou. Apesar de estar entre amigos e familiares, se sentia sozinho.

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Quando a claridade dos fogos cessou. Alex voltou para dentro do salão. Não viu Holly entre os convidados. Aproximou-se de um amigo em comum do casal.

- Viu Holly?
- Acho que entrou na ante-sala. – comentou o amigo.

À medida que aproximava do pequeno ambiente que separava o salão do corredor dos toaletes, ele ouvi sussurros. A porta de correr estava entre aberta e ele parou para ouvir Holly conversando com duas amigas.

- Por que fez isso Holly? E se ele descobrir?
- Ninguém mais sabe Aline. Agora que estou contanto para vocês duas. Não digam nada para ninguém, ouviu Jack.
- Como se eu fosse dizer alguma coisa. – Jackeline fez uma careta de descontentamento.
- Ele nunca ia perdoá-la pela traição. – comentou Aline.
- Acho que não ia perdoar era a mentira. Imagina só se o Alex, todo certinho e família do jeito que é, ia gostar de saber que sua namorada estava grávida de outro cara. – falou Jack despreocupadamente.
- Shiiii. – protestou Holly. – Não diga isso em voz alta. Vai que alguém escuta. Agora que voltamos e estamos bem. Vou dar um jeito de reparar isso logo. Até parei com os contraceptivos novamente. Uma noite que ele estiver alto pela bebida, o distraio e ele esquece o preservativo.
- Você não faria isso? Ia engravidar de propósito? – desaprovou Aline.
- Ele ficou muito desapontado com a notícia do aborto. Acho que um filho nosso seria o motivo mais que propício para ele se decidir pelo nosso casamento. – comentou Holly animada.
- Você é uma mulher muito fria e calculista. – falou Jack.
- Só cuidando do que é meu. – Holly deu de ombros.

Todas riram. Alex foi acometido por uma ira quase que implacável. Saiu rápido dali, para não entrar na pequena sala e matar Holly estrangulada. Ele entrou no elevador. Enquanto descia, Alex socava a lateral com força, correndo para longe quando chegou ao térreo, deixando um amassado enorme naquele meio de transporte.

Uma hora andando por Sidney a pé. Sentou-se numa praça um pouco distante da confusão que era as ruas, com a chegada do novo ano. Olhou para frente, viu um telefone público. Correu até lá e no impulso, discou. Seu corpo todo tremia. Raiva, frustração, mágoa.

‘Sua chamada não pode ser completada. Tente novamente mais tarde’, a gravação o deixou mais irritado, se era possível. Deixou o corpo cair no chão, encostando as costas na base do telefone público. Aguardaria um pouco, as linhas congestionadas era previsível naquela primeira hora do ano de 2009.

Só se deu conta que ficara ali caído sem se mexer por duas horas inteiras, quando seu celular vibrou dentro do bolso. Ele nem se lembrava que tinha trazido consigo. Olhou o visor e viu a foto de Holly piscando. Ele jogou o aparelho na rua, um carro passou por cima, esmagando-o. ‘Vadia!’, resmungava.

Olhou para cima, encarando o telefone público. Levantou-se e discou o mesmo número. Agora chamava e ele estremeceu ao ouvir a voz de um homem do outro lado. Ficou paralisado por um momento, ouvindo o diálogo que seguia do outro lado da linha.

- Alô!
- Quem é, Michael?
- Não sei Sophia. Não responde.
- Deixe comigo. Alô? Alô!

Já estava chorando. Agora a decepção formou um nó em sua garganta. Alex deixou o fone cair e voltou a caminhar. O dia amanhecia quando ele chegou ao Apart em que estava hospedado com Holly.

- Poderia me informar se Holly Valance está? – perguntou ao recepcionista.
- Qual o quarto?
- 1009. – respondeu Alex.
- Não. O casal não voltou ainda.
- Ótimo! Dê-me as chaves. Sou Alex O’Loughlin.

O rapaz hesitou e Alex retirou a carteira do bolso de dentro do paletó. Mostrou sua identidade. O rapaz sorriu desculpando-se.

Alex não se demorou. Jogou uma mala sobre a cama, juntou tudo sem se importar em dobrar as roupas. Pegou seu passaporte e saiu. Logo que chegou ao aeroporto, conseguiu embarcar sem problemas para o México.

Ninguém teve notícias dele até retornar à Austrália duas semanas e meia depois. Ele ligou de um telefone público para Holly.

- Alex? Meu Deus! Onde esteve? – perguntou preocupada.
- Estou no aeroporto. Eu trouxe você, então vim buscá-la. Tem duas horas para estar aqui. Volto para LA hoje e você vai comigo.
- O que aconteceu? Por que está nervoso?
- Conversamos em LA. Se não estiver aqui em duas horas, embarco sem você.

O vôo de volta foi em silêncio. O desembarque tranquilo. Havia algumas pessoas que fotografaram o casal logo após o desembarque. Alex demonstrou-se bem, embora seu interior ardesse em chamas. Graças a sua estadia no México, teve tempo de se acalmar. Iria por tudo em dia com Holly em breve.

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Em algum lugar de Brighton, UK – 01 de Janeiro de 2009 – 03:18 am

Sophia e Michael Bublé acabavam de chegar do réveillon num salão em frente à praia. Ele havia acompanhado Sophia até seu quarto de hotel. Ela tomava uma ducha para amenizar o efeito do álcool quando seu celular começou a tocar sobre o aparador perto da entrada do quarto. Ela deixara ali, juntamente com sua pequena bolsa de festa.

Michael levantou do sofá e pegou o aparelho. Resolveu atender, o DDD indicava interurbano e ele achou que era urgente.

- Alô?
- Quem é, Michael? – perguntou Sophia próxima a porta do quarto, enrolada em uma toalha e com os cabelos enrolados em outra.
- Não sei Sophia. Não responde. – ele fez uma careta de confusão.
- Deixe comigo. Alô? – ela ouvia apenas uma respiração pesada. – Alô!

Um barulho surdo foi ouvido, mas a linha não tinha caído. Ela conseguia distinguir o barulho dos carros passando. Olhou no display e reconheceu o DDD. ‘Austrália! Deus! Será que era o Alex? Ele deve ter entendido tudo errado!’. Ela desligou e discou nervosa. Michael a observava. ‘Fora de área! Maldição!’, pensou e olhou para Michael desanimada.

- Bem! Desculpe se atendi. Mas achei que era importante.
- Não foi culpa sua. – suspirou desiludida.
- Acho que vou para meu quarto. A encontro para o café da manhã? – perguntou esperançoso.
- Não sei Michael. Penso em dormir até mais tarde. Estou realmente cansada. Talvez no almoço. Ligo ou mando um aviso. Tudo bem? – o olhou indecisa.
- Tudo o que a deixar bem. Se precisar de qualquer coisa, não hesite em me chamar. – ele tocou de leve o rosto dela, deu-lhe um beijo na testa e foi para seu quarto.

Sophia não dormiu. Não ia ser fácil explicar o mal entendido. Mas ela o faria na primeira oportunidade que tivesse com Alex.


West Hollywood, LA, CA – Apart. Alex – 20 de Janeiro de 2009 – 13:41am

- Olha, se vai me ignorar o resto da vida, eu preciso saber o motivo. – Holly rompeu o silêncio que a atormentava desde o embarque de volta a LA.
- Aproveite que está com a mala pronta, pegue outra no armário e leve o restante de suas coisas. Não a quero ver aqui quando eu voltar. – ele entrou no quarto, deixou sua mala de lado, voltou e pegou as chaves da moto sob o aparador da sala e saiu sem olhar para Holly.
- Não vou embora sem saber porquê você está me tratando dessa forma Alex! – gritou exaltada.
- Quer saber mesmo? Não faz ideia? – ele voltou até a porta do apartamento, nervoso e quase gritando.
- Não. Não sei o que fiz para estar me tratando dessa maneira. – respondeu aflita.
- Como você pode ser tão cínica? Achou mesmo que eu nunca saberia que o filho que estava esperando não era meu? – ele gesticulava e agora gritava.
- Alex! Quem falou um absurdo desses? É mentira! – ela tentava tocar os braços dele.
- Não toque em mim! – ergueu os braços para evitar o toque dela.
- Alex! Por favor! – pediu implorativa.
- Ninguém me contou Holly. Eu ouvi você contar a historinha para suas amigas na festa de réveillon. Eu realmente acreditei que você me amava e que, apesar de nossas diferenças, podíamos dar certo. Eu tentei e você não pode me culpar por isso. – ele se afastou em direção ao elevador.
- Alex! Vamos conversar. Precisa me ouvir. – ela se aproximou hesitante.
- Não há o que conversar e não vou ouvir nada que você ainda tenha a dizer. Se restar um pouco de dignidade em você Holly, irá embora agora. – ele respirou fundo tentando se acalmar.
- Mas Alex... eu... – ela não conseguiu terminar a frase, não tinha o que argumentar.
- Adeus Holly! E até nunca mais. – ele a olhou pela última vez antes de entrar no elevador.


Em algum lugar de Veneza, Itália – 20 de Janeiro de 2009 – 09:02pm

Lucy caminhava vagarosamente pelas estreitas vielas de Veneza. Estava naquela cidade romântica e nostálgica havia algumas semanas. Em um sonho que teve, ela viu um rosto de um homem magro, alto, moreno de olhos escuros e muito sorridente. No sonho ele a ajudara a fugir para Londres logo após testemunhar o assassinato do cônsul espanhol e sua família.

Ela tinha certeza de que não era um sonho e sim uma lembrança. Logo viu-se diante de uma casa familiar. Era exatamente o lugar em que ficou, por alguns dias, escondida até conseguir ir para Londres.

Bateu na porta e um minuto depois o moreno magro de seu sonho atendeu. Ele arregalou os olhos quando a viu. Olhou-a de cima a baixo para ter certeza de que não era uma miragem.

- O que faz aqui? – perguntou sussurrando.
- Procurar ajuda. – olhou-o de forma curiosa.
- Está sozinha? – ele olhou para os lados indeciso.
- Sim.
- Ok! Entre. – afastou-se um pouco para ela entrar.

Logo que ela entrou, ele olhou novamente para os lados antes de fechar a porta. Indicou o caminho com a mão direita, tocando a cintura de Lucy delicadamente com a mão esquerda. Chegaram a uma sala pequena e aconchegante. Ele fez sinal para que ela se sentasse e foi até a cozinha de onde voltou com duas xícaras de chá preto nas mãos.

- Se me lembro bem, você gosta com pouco açúcar. – falou estendendo a xícara de chá para ela.
- Pelo menos a memória de um de nós está intacta. – ela esboçou um sorriso.
- Por que está aqui Lucyelle? Os Carpacciones ofereceram uma recompensa para quem a encontrasse e a entregasse viva. Faz idéia do quão é perigoso para você, principalmente agora? – falou preocupado.
- Desculpe. Não lembro seu nome.
- Está de brincadeira?
- Não. Sofri um acidente e minha cabeça não anda muito bem.
- Hum. Tudo bem. Eu sou Carl, muito prazer. – ele estendeu a mão para ela e sorriu brincalhão.
- Oi Carl. – ela sorriu de volta e apertou a mão dele.
- Se não lembra meu nome como chegou aqui? – perguntou desconfiado.
- Tenho flashes de memória. Às vezes me lembro de lugares, rostos, sons e sensações. Mas nada é muito específico. É tudo confuso. Talvez você me ajude a lembrar. Tenho um pressentimento de que devo procurar minhas lembranças por onde tudo começou.
- Entendo. Mas isso é suicídio. – comentou bebendo um pouco do chá.
- Só sei que eu estava aqui e voltei para o EUA pelo que testemunhei e lá me colocaram em outro caso aparentemente normal. O fato é que tenho a impressão de que há uma ligação. E preciso descobrir qual. É algo que tenho que fazer, não sei porquê, mas preciso fazer. – ela o olhou confusa.
- Tudo bem. Fique aqui esta noite. Amanhã pela manhã faremos um tour. Contarei o que sei e a levarei para um lugar seguro. – ele sorriu e ambos conversaram mais um pouco antes de irem dormir.




Continua...
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